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Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Semana boa :)

Essa semana começou bem.

Hoje, terça-feira, fiz com a minha equipe (desfalcada, pois um dos integrantes está viajando de férias) uma retrospectiva final do projeto, abrangendo os dois anos que estivemos juntos. Algumas coisas interessantes aconteceram :) Vou listá-las amanhã para vocês (hoje estou moído!).

E na sexta-feira irei fazer uma "palestra-dinâmica" para uma turma de pós, na universidade. Será legal ter um público diferente. Para isso, estou adaptando a dinâmica para funcionar melhor. Depois posto ela aqui para vocês utilizarem. Acho que ficará mais divertida :)

Abração

Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Voltando...

Pois então, pessoal. Estou de volta.

Semana passada foi meio crítica. O meu pai, no sábado, baixou hospital com algumas dores abdominais, que foram identificadas como uma infecção no local onde ele havia feito uma cirurgia há meses atrás. É um fato raro de acontecer, mas aconteceu.

Deu tudo certo! Na sexta passada ele saiu do hospital e está novo em folha! :)

Mas são nestes momentos que a gente percebe como somos frágeis neste mundo. De uma hora para a outra, podemos estar deitados em uma cama de hospital. A gente começa a refletir um pouco sobre nossos hábitos, sobre a beleza das pequenas coisas, como estar em família. Tirei a semana de folga no trabalho, pois não conseguiria me concentrar sabendo que o meu pai estava hospitalizado. E meus dois irmãos (irmão e irmã) também. Logo, convivemos todos (mais a minha mãe) como antigamente, os cinco juntos. Coisa assim era bastante corriqueira: janta, um final de semana na praia, etc. Mas a semana inteira não :)

E como é bom isso. A gente percebe como a família é mais importante do que tudo.

Refletindo um pouco, a gente as vezes pensa em quantas vezes passamos horas e horas na frente do computador trabalhando. E em quantos momentos já deixamos de fazer algo com a família ou com a gente mesmo, para se dedicar um pouco mais ao trabalho. Por mais que a gente goste de trabalhar, talvez algumas vezes devessemos repensar nossas prioridades. Será que perder uma sexta-feira a noite, ou um final de semana, adiantando trabalho vale a pena? Será que não poderíamos usar esse tempo para nos dedicar a família?

Muito se fala em qualidade de vida. Eu acho que a qualidade de vida está entre balancear corretamente a nossa vida no trabalho com a vida pessoal.

Numa palestra com o Daniel Wildt, no mesmo dia em que eu fiz a palestra sobre o "Scrum in Hell", ele falou uma coisa que acho que mostra a essência de como um processo como o SCRUM pode melhor inclusive a nossa vida pessoal: ele disse que em uma empresa, havia um analista cujo horário de trabalho normalmente ia até as 21h. Então ele tomou este cara como exemplo e desafio e prometeu para ele: "uma das minhas funções aqui é fazer com que tu saia do trabalho às 18h". E conseguiu! Ou seja, o SCRUM (e o agile como um todo) com certeza ajudou a dar mais qualidade de vida para este analista :)

Enfim, estou voltando. E espero voltar a manter a periodicidade diária do blog. Podem me cobrar ;)

Um grande abraço

Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Reunião importante nesta quarta-feira

Quarta feira, 17 horas.

Esse é o horário da reunião mais importante deste ano. Será a reunião onde será decidido como será o nosso próximo projeto. Iremos focar, principalmente, no perfil das equipes. Eles, meus chefes, pretendem mostrar que querem uma mudança radical de atitude das pessoas do laboratório.

Será a minha chance para apresentar a questão da gestão por competências.

O que me deixa meio preocupado é que eles querem mudar... não mudando. Ou seja, vão aproveitar muitos dos que já estão no laboratório e, além disso, querem manter os salários (as bolsas) das pessoas no mesmo nível atual. Daí eu pergunto: se eles realmente querem mudar o perfil, por que agem CONTRA isso?

Mas o ponto mais tenso da reunião será quando falarmos de salários. O salário dos gerentes.

Um dos meus chefes havia me dado a incumbência de fazer o planejamento financeiro de RH do projeto. Eu fiz, prevendo diversas variáveis (inclusive o valor que fica aplicado no banco, gerando rendimentos financeiros). Para o meu salário, peguei a média dos gerente de projetos e taquei ali: R$ 3700,00.

Numa primeira reunião, entre eu, meu colega e meus dois chefes, já houve um princípio de divergência. "Não estão inflacionando o mercado, com este valor?". Eu fui firme: "Não. É o valor de mercado". Deu pra ver que eles não ficaram muito satisfeitos.

No outro dia, marcaram uma nova reunião (essa agora) em que eu e o meu colega estaremos junto com meus dois chefes, mais um coordenador e um diretor da empresa. Ou seja, o cenário está todo armado para que nós façamos uma revisão dos nossos salários.

É claro que eu vou considerar que o ambiente é acadêmico e que a empresa é microempresa. A carga horária também é menor (6h). E quero ouvir deles, quais serão nossas responsabilidades.

Agora, sinceramente, eles também tem que valorizar E MUITO nosso trabalho. Eu e o meu colega recebemos este ano duas ou três tijoladas (projetos incendiários) em que tivemos que agir e recuperá-los. Eu consegui resgatar o meu projeto atual, e o meu colega terminou o dele com antecedência. Temos que lidar com o pessoal do laboratório diariamente, liderando e mantendo a motivação do pessoal. Além disso, eu sou o "escritor oficial" de projetos do laboratório. Sempre que há um edital de projeto, eu sou convocado a auxiliar os meus chefes para escrever. Este que irá começar, de RFID, eu fui o responsável por boa parte do projeto. Também nunca deixamos eles na mão. Sempre fomos integros e honestos. E, por fim, este ano estou fazendo três anos na empresa!

São motivos mais do que de sobra para ter uma remuneração compatível com o mercado. Minha meta é ficar na proximidade de 3000-3200. Abaixo disso, eu já vou pensar muito se fico ou não.

Quero tratar este projeto como meu filho, isso eu já falo há tempos. Irei fazer o possível para entregá-lo em um ano (e alguns meses). Irei me dedicar muito ao projeto. Sei que será um excelente projeto para se ter no currículo, inclusive.

Mas preciso pensar na parte financeira também. Auto-realização não é só fazer o que gosta. É também receber o que se merece.

Enfim. Amanhã é o dia. Vamos ver como estamos cotados lá dentro.

Abraços!

E na reta final... uma ultrapassagem perfeita!

Como é o destino...

Meus dois últimos posts foram bem pessimistas. Disse inclusive que o meu projeto encerraria com 95% dele finalizado, apenas. Porém, desde o post, só aconteceram coisas boas! E o resultado é que o projeto está 99,9% entregue! :) Sim, teoricamente, mas parece que todo mundo resolveu dar um último gás no último segundo, e o panorama mudou.

Sexta-feira, o desenvolvedor da parte do software ficou até tarde trabalhando no laboratório. Queria tentar resolver os bugs que haviam aparecido nos testes. Enquanto isso, eu me dedicava a fazer o vídeo do nosso projeto. Ele estava irritado pois não achava o erro. E eu estava preocupado pois não encontrava vídeos onde pudessem aparecer cenas no campo, já que nosso projeto é de agricultura de precisão. Precisava de tratores, colheitadeiras, etc.

Sábado, envio um email para o meu chefe e ele me diz que encontrou umas fotos e vídeos antigos que fizemos quando fomos na fazenda dele, ainda no início do projeto. Bingo! Todo o material que eu precisava estava lá!! Ao mesmo tempo, o desenvolvedor de software voltou para trabalhar durante toda tarde no laboratório, para encerrar de uma vez o software. Ao final do dia, envia um email comemorando por ter resolvido (teoricamente) todos os bugs que tínhamos. E ainda deu tempo de fazer um sistema DEMO para rodar no dia da feira!

Domingo, finalizo o filme e um documento contendo todos os custos do nosso protótipo. Envio para o pessoal e todos ficam animadíssimos com o filme.

Então chega o dia da feira, segunda-feira. Acordo cedo, 6h30, para levar a namorada na rodoviária. Tinha que estar no trabalho às 8h30. Então durante uma hora e meia finalizo alguns outros materiais e corro para o trabalho. Lá apresento a versão final do filme e todos comemoram pois o resultado ficou realmente muito bacana! O documento dos custos é aprovado por todos também, pois era algo que iríamos precisar MUITO na feira.

Chegando na feira, diversas outras empresas já se encontravam lá. Arrumamos nossa mesa da seguinte forma:

- Notebook rodando o vídeo, em loop;
- Notebook rodando a demonstração do produto;
- Nosso protótipo (numa caixa e acabamento bem razoável) rodando o demo (acendendo luzinhas!);
- Um banner explicativo, bem bacana;
- Cartões de visita, folders, etc.

A nossa principal missão é agradar a comissão avaliadora, que veria os resultados produzidos pelo projeto. Organizamos nosso espaço de forma bem bacana e ainda tivemos sorte de que nossos vizinhos eram projetos extremamente simples (um era sobre abacates!!! Sabe-se lá o que era aquilo hehe).

Durante toda feira pudemos ver que das aproximadamente 20 empresas que estavam no local, éramos sem dúvida nenhuma a segunda melhor a apresentar seus produtos. Não fomos a primeira pois uma das empresas desenvolveu um scanner sensacional, e já estava em versão de produto... impossível competir com um produto tão perfeito, vamos ser sinceros. Fora isso, não tenho dúvidas que o nosso projeto era o que melhor foi divulgado lá.

Os resultados: várias pessoas interessadas em conhecer nosso produto, nenhum problema durante a apresentação, nenhum problema na avaliação (inclusive conseguimos encantar vários avaliadores). Internamente falando, TODA equipe de desenvolvimento estava satisfeita e orgulhosa do resultado. O meu chefe também ficou muito feliz e satisfeito. E eu, claro, me senti muito orgulhoso em ver que tudo havia dado certo. Tanto que não me preocupei em ficar aproximadamente seis horas de pé!

Essa semana iremos fazer a finalização do documento. E meu chefe agora se empolgou e quer fazer o teste final na fazenda, em um trator. Assim podemos ter um vídeo bem completo de todo o projeto. Além disso, a documentação do conhecimento adquirido no projeto será feita via vídeo também. Ninguém conseguirá escrever muito nessa semana, então decidi fazer vídeo. Não vai adiantar muito, mas pelo menos é alguma coisa.

Na sexta-feira faremos a retrospectiva final do projeto. Vamos analisar nossos erros, acertos, o que poderíamos ter feito de melhor, etc. Acho que isso será muito importante. Além disso, tentarei fazer uma sessão de feedback, para discutirmos a atuação individual de cada um. Isso também eu acho que será bem interessante.

Enfim. Essa reta final mostrou que quando um projeto deixa de ser apenas trabalho e passa a ser visto como uma realização pessoal, a coisa muda completamente de figura. Eu jamais imaginei que o desenvolvedor iria trabalhar um sábado inteiro para finalizar a parte dele. Essa foi uma das atitudes que mais me supreenderam nos últimos meses. Graças a ele pudemos ter algo bem tangível com relação ao nosso produto.

Foi uma prova de que se conseguirmos fazer essa mentalidade em toda a equipe, qualquer projeto que pegarmos será um sucesso. Agora, se tratarmos a equipe como "recursos" e um projeto como trabalho, realmente a coisa não irá fluir naturalmente. E o resultado tenderá ao fracasso.

Uma lição aprendida na prática.

Um grande abraço

Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Finalizando o projeto... infelizmente em 95%

Pois é. O grande Murphy resolveu dar uma pitadinha de humor negro neste final de projeto.

É dose. Hoje fizemos o teste final, antes da apresentação na segunda-feira. E novamente alguns problemas (de algorítmo) surgiram. Como a semana que vem será "extra-oficial" para o projeto, eu posso dizer que finalizamos o projeto com algo como 95% dele finalizado.

Eu me sinto orgulhoso por conseguir entregar esses 95%, visto a situação em que ele se encontrava há pouco mais de 6 meses atrás. Porém, ainda assim, fica aquele gostinho de que eu poderia ter feito algo mais. Talvez não tecnicamente (já que eu não tinha quase nenhum domínio na tecnologia), mas poderia ter esticado a corda um pouco mais... fazer a equipe sair dos momentos de zona de conforto em que estiveram por longos períodos.

Essa semana, por exemplo, na 2a e 3a eles ficaram só estudando para as provas da faculdade. Hoje constatamos que se tivéssemos mais um dia para fazer os testes, quase certamente finalizaríamos o projeto. Ou seja, se eles tivessem se dedicado um pouco (2 horas que fosse) nestes dois dias, poderíamos ter avançado mais.

Não estou muito feliz, é lógico. Mas saio com a sensação de que fiz o possível e que tive uma boa participação para que este projeto não fosse mais problemático do que foi. Podia ter feito mais, mas também não vou me culpar demais.

Vou ver se essa semana faço uma "retrô" aqui para tentar expôr algumas lições aprendidas. Para vocês e para mim será bastante útil, com certeza :)

Um abraço

Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Murphy visitando o meu projeto

Tem coisas que deixam a gente maluco.

Uma delas é quando as coisas dão erradas, quando precisam darem certas. Nosso projeto foi para teste de campo hoje. Os guris simularam desde ontem e tudo parecia perfeito. Levamos nosso equipamento para o estacionamento e começamos a testar.

E... ?

Problemas no LCD. Problemas nos LEDs. Problemas nos algorítmos. E isso com o meu chefe do lado. Ele estava empolgado no começo. Acabou, era visível o desânimo na cara dele (e na minha).

A situação é a seguinte: esse projeto precisa estar pronto para ser apresentado na segunda-feira!

Os guris prometeram que ficariam até tarde hoje finalizando as coisas. Eles diziam ter certeza de quais eram os problemas. Amanhã faremos novos testes... será que o nosso amigo Murphy vai nos visitar de novo?

Esse "cabra safado" que ouse! :)

Um abraço

Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

É hoje a palestra!

Hoje é a palestra que irei dar ao público aqui em Porto Alegre entitulada: "SCRUM IN HELL - Uma abordagem prática da aplicação do SCRUM em ambientes difíceis". O nome é mesmo para instigar :)

Irei conceituar o que eu chamo de ambientes difíceis (micro e pequenas empresas e, no meu caso, grupo de pesquisa universitário) e depois apresentarei o que eu fiz para iniciar a implantação do SCRUM no ambiente de trabalho. Não será uma palestra que fala sobre a metodologia do SCRUM, mas sim uma visão de como ela pode nos ajudar no dia-a-dia.

Espero que consiga passar a mensagem para o público e que pelo menos alguns, se animem a tentar mudar em suas empresas :)

Depois conto como foi.

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Essa é a semana decisiva do projeto Agritec. Semana passada os guris acabaram queimando um pequeno circuito da placa, que já foi trocado (felizmente não foi nada grave). Essa semana faremos os testes e depois prepararemos a apresentação que será feita na outra segunda-feira.

Tomara que tudo corra nos conformes...

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Correria... e o blog desatualizado

Desculpem, pessoal. Sei que o blog tem bastante gente que acompanha diariamente. Mas estou na correria aqui para finalizar o nosso projeto, tenho provas e ainda a apresentação de segunda-feira :)

O projeto é que tá tomando mais tempo. Quando tu parecia ir bem, a equipe acabou queimando acidentalmente um componente importante do hardware. Faltando uma semana para a apresentação do mesmo (deadline MESMO).

Corda no pescoço... mas vamos tirar de letra (espero!).

Abraços!

Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Auto-crítica

Se vocês tiverem oportunidade, procurem o livro intitulado "Aprendendo a lidar com pessoas difíceis" dos autores Rick Brinkman e Rick Kirschner. Eu pude ver um vídeo deles, há tempos atrás (uma fita de videocassete!!) em que eles abordavam os perfis de pessoas. Eu tenho que dizer que eles realmente foram ótimos nos perfis que fizeram!

Vou citar um, para exemplificar:

A PESSOA "SIM"

As pessoas que só dizem "sim" são extremamente desorganizadas e freqüentemente se sobrecarregam na tentativa de conduzir a vida de acordo com os desejos das outras pessoas. Elas tem um direcionamento para lidar com pessoas e não com tarefas. E, as vezes, não sabem o que fazer para cumprir as suas promessas, nem pensam nas consequencias daquilo que se comprometeram a fazer.


Eu vou fazer uma auto-crítica. Eu vi muito de mim nessa descrição. Eu sou um pouco desorganizado ainda (não sou extremamente!), tenho um perfil para lidar com pessoas (realmente gosto disso) e normalmente sou uma pessoa que se preocupa em aceitar as coisas com um "sim"... e realmente isso pode trazer problemas, de vez em quando. Normalmente faço isso com os meus chefes e algumas poucas vezes com os clientes (com eles eu me sinto mais disposto a negociar melhor).

Talvez o grande problema disso seja o fato de inconscientemente eu ter uma certa necessidade de gratidão com os meus chefes, por eles terem me dado a oportunidade de me tornar o gerente do grupo. Então costumo aceitar até mesmo algumas coisas que depois eu me pergunto: "por que diabos estou aceitando isso?".

Eu percebi isso fortemente em uma reunião. Estávamos discutindo um destes "projetos-demanda" que surgem para última hora. Ao final da exposição do que era, o chefe me olhou com aquela cara de "e ai?" e eu falei: "Certo... vamos cumprir sim".

Nesse momento, um dos desenvolvedores pediu a palavra e falou "Olha eu acho que a coisa não é tão simples assim, hein". E explicou a visão dele. Nesse momento eu vi que realmente eu disse um "sim" sem avaliar com cautela algumas nuances.

O chefe que será o meu chefe direto neste próximo projeto (o do email...) é daqueles extremamente pragmáticos. Se tu for conversar com ele e quiser contextualizar uma situação, ele já fica impaciente e pede para ir ao ponto. Essa ansiedade exarcebada dele é algo que intimida um pouco, não no sentido de "medo". Mas intimida ao debate... pois se tem a noção de que ele não vai ouvir e que a posição dele será mantida.

Talvez se eu me acostumar e me adaptar melhor a esse estilo dele, eu consiga dizer "sim" apenas depois de ter certeza disso. Aliás, pretendo me policiar desde já com relação a isso.

Enfim, me identifiquei um pouco com esse perfil de pessoa... e percebi como as vezes posso estar sendo inconsequente comigo e com minha equipe. Fica uma auto-crítica minha. Para tentar me lembrar que eu preciso mudar isso, o quanto antes.

Abraços

Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

Água fria nas idéias... pelo menos por enquanto.

É impressionante o mundo corporativo (seja uma empresa, seja um grupo de pesquisa). Cheguei no trabalho com a idéia que mencionei no post anterior, de tentar criar o conceito de gestão por competências.

Conversando com o meu colega, contei a história da Nissan para expressar a essência deste conceito. Ele achou bacana. Mas nesse momento, fomos interrompidos por um dos meus chefes.

Ele me disse que eles todos estavam em reunião e tiveram algumas decisões:

+ Eles querem equipes bem centradas e experientes, e com isso pode haver uma reformulação total na equipe do laboratório. Pior do que isso, dependendo do que eles entendem por "experientes" podemos ter um acréscimo que não foi previsto na folha de pagamento.

+ Eles simplesmente definiram que um dos meus subordinados atuais faria o papel de gerente de projetos de hardware e analista de processos, nas empresas. OPA! Peraí!! Como é? Eles escolheram a pessoa mais introvertida, entre os que estão ali. Um cara muito técnico com bons conhecimentos, só que não tem na comunicação o seu forte. E querem que ele vire GERENTE? E pior, que ele visite empresas e identifique processos?! Isso me soou de uma insanidade que só demonstra como os responsáveis por essas decisões não conhecem a equipe que tem.

+ O meu colega, analista e que faria a função de gerente, foi nomeado como analista de processos da empresa. Obviamente, ele foi o último a saber. Avisaram ele hoje, sem saber se ele tinha interesse ou não. Pela reação dele, no momento e depois da reunião, notei que ele estava meio puto da cara. Pois sabe que está se metendo numa encrenca daquelas... ele sabe que vai ter que acompanhar o tiroteio da empresa, que ao invés de se focar em uma tecnologia para se especializar e oferecer serviços, está tentando pegar tudo o que pode (projetos espaciais, de RFID, de software, de sistemas embarcados, etc).

+ Eu fui mantido de gerente de projetos do grupo de pesquisa. Aqui foi a notícia boa. Eu pretendo, posteriormente, alcançar posições mais altas (obviamente não será no grupo e nem na empresa que tem uma hierarquia pequena e monolítica), mas nem por isso vou pular degraus. Quero gerenciar mais alguns projetos (este principalmente, que terá um apelo bem interessante) para acumular experiência e me preparar para os novos desafios.

Enfim, novamente houve uma mistura enorme entre empresa e grupo de pesquisa. Eu vou exigir, antes de começar o projeto, que os papéis e responsabilidades estejam BEM DEFINIDOS. Isso significa que não haverá possibilidade de alguém que tem o foco só no grupo, tenha que prestar algum serviço para a empresa. Vou ser bem incisivo nisso. Se eu vou realmente ser do grupo, vou representar o GRUPO e não a empresa.

Apesar dessa reunião ter demonstrado algumas decisões que eu não concordo (como a saida do meu colega contra a vontade dele - aparentemente - para a empresa e a nomeação do gerente de projetos de hardware de uma pessoa sem o perfil) eu ainda acho que consigo transformar o laboratório em um local para a gestão de competências. A proposta só sofreu um adiamento... mas eu não vou desistir, pois acho que o conceito é o que nós realmente precisamos. Só vou precisar vender a idéia para os meus chefes.

Enfim... o alinhamento estratégico é inexistente ou está misturado. O que pode acontecer?

Gestão por competências ... um conceito bem aderente ao agile!

Estou tendo no meu MBA a disciplina de "Gestão de Competências". Estou achando um assunto sensacional! Tudo porque ele é extremamente aderente ao que o agile pressupõe para uma gestão efetiva de projetos, pessoas e objetivos.

Basicamente, o que pressupõe a gestão de competências? A competência de uma pessoa pode ser mensurada com três conceitos indissociáveis, o chamado CHA sendo:

C = Conhecimento (know-how)

H = Habilidade (saber fazer, utilizar o conhecimento para obter resultados)

A = Atitude (pró-atividade, entusiasmo, paixão)

Essas três características são de duas distintas naturezas chamadas de natureza técnica (CH) e natureza cognitiva (A). Podemos facilmente visualizar que a principal carência do mercado atual reside nas natureza cognitivas. Existem muitas pessoas com conhecimento e/ou habilidade... e muitas delas sem atitude para realizar suas tarefas ou, como se diz muito por aí, vestir a camisa da empresa.

As empresas estão percebendo isso. E muitas estão começando a vislumbrar no conceito da gestão de competências, que o maior ativo de qualquer empresa são as pessoas (e eu acrescentaria, o conhecimento - principalmente no mundo da tecnologia). Logo, como criar um ambiente onde o CHA aflore de uma maneira que permaneça na empresa por muito tempo?

A gestão de competências possui três pré-requisitos básicos, como proposta para criar essa cultura:

1 - A capacidade dos gestões e líderes traduzirem a visão de futuro da empresa em um propósito estratégico desafiante e motivador.

Isso parece fácil, mas existe uma nuance muito, mas muito importante a ser considerada: é preciso saber responder a pergunta, que muitos funcionários farão, que é: "o que eu ganho com isso?". Logo, é preciso fazer com que o propósito tenha um objetivo claro e desafiador para todos na empresa... para que todos tenham a real noção do que ganharão atingindo os resultados. E isso só se consegue obtendo um bom feedback de todos os níveis da empresa.

Mas o que seria um propósito estratégico? Basicamente é a tradução da visão de futuro da empresa. Lembram daquela famosa frase "Nossa visão"? Pois bem, ela nunca foi tão importante agora. Mas não é apenas isso. Existem três conceitos que precisam existir nesse propósito: é preciso ter claramente um PRAZO para ser atingido. É preciso ter um SLOGAN que seduza a todos - e que seja fácil de lembrar. E é importante ter uma espécie de PLACAR ELETRÔNICO dos macro-objetivos para saber se estamos atingindo ou não.

(Aqui abro um parênteses. Esses três conceitos não são a cara do agile?)

Um dos exemplos mais clássicos que existe é o caso da empresa japonesa Nissan. Atolada em dívidas, ela foi comprada no início dos anos 2000 pela Renault. Um brasileiro chamado Carlos Ghosn assumiu a presidência e recebeu a missão de reerguer a empresa. Após meses de estudo sobre todos os setores, áreas e níveis da empresa, foi criado em conjunto o famoso slogan da empresa: NISSAN 180.

Além da fácil associação do 180 com a idéia de "dar uma guinada 180 graus" estes três números possuem três objetivos estratéticos da empresa. A missão deles era de, em cinco anos:

1 = Atingir a marca de 1 milhão de carros produzidos e vendidos
8 = Atingir a marca de 8% de rentabilidade ao ano
0 = Atingir o feito de zerar a dívida (que estava na faixa de 15 bilhões de dolares)

Logicamente uma mudança cultural e estrutural ocorreu na empresa. Muitos foram demitidos, estratégias foram tomadas. O Carlos se tornou uma daquelas pessoas que os japoneses (sabidamente nacionalistas) passaram a ver com desconfiança. Mas o fato é que da previsão de atingir o resultado em 5 anos, eles conseguiram fazer isso em TRÊS anos. A empresa saiu do buraco e o Carlos hoje é celebridade no país... apesar de ter assumido a presidência da Renault.

Enfim, notem como foi importantíssimo a criação de um slogan, um prazo e um placar eletrônico (eles desenvolveram isso não só visualmente - com um placar mesmo - como com a utilização de BSC). Se vocês tiverem interesse, procurem a respeito deste case na internet. É sensacional.

2 - O segundo pré-requisito para a criação de uma gestão de competências é a capacidade de estruturar um mapa de competências organizacional. E é aqui onde são identificadas as carências, as necessidades, o como agir e com base nele é feito o plano para atuar.

Não vou detalhar muito isso, mas acredito que se possa encontrar um template deste mapa na internet. A identificação das competências necessárias podem ser observadas pelo próprio slogan (que é o ideal). Por exemplo o caso da NISSAN 180.

Se o "1" indica produzir e vender carros, podemos ver que é preciso ter os melhores operários e processos para construção, e os melhores vendedores para vender os carros (e aqui entra vendas, marketing, alinhamento com o mercado, etc). No caso do "8" de rentabilidade de 8%, podemos visualizar que deve-se ter a certeza de que todos da empresa estejam alfabetizados com conceitos de contabilidade. E por fim, o "0" de zerar a dívida, indica que todos precisam estar cientes de como atuar para reduzir os custos da empresa.

Portanto aí podemos evidenciar diversas necessidades que precisam ser atacadas. Facilmente identificadas pelo slogan da empresa.

3 - O terceiro pré-requisito, e o mais complicado deles, é a capacidade de despertar e manter a postura de ATITUDE COLETIVA na empresa.

Esse sem dúvida é o mais crítico deles. E aqui podemos ver como é importante alinhar os objetivos (a visão) da empresa em algo que beneficie a todos. Se o objetivo representa uma necessidade pessoal do presidente da empresa ou de um pequeno grupo, isso será facilmente percebido pelos demais em pouco tempo. E a atitude coletiva vai cair drasticamente.

Um exemplo bem interessante foi discutido na aula. A AmBev criou um slogan chamado "AMBEV MAIS (A+)". A empresa tinha como meta "tornar-se em 5 anos a empresa de bebidas mais competitiva da face da Terra". Um objetivo bem desafiador. Quem não gostaria de fazer parte de algo grandioso? Ainda assim, muitos perguntaram: "O que eu ganho com isso?". Então foi dito que aqueles que liderassem suas equipes de uma forma a atingir os resultados, ganhariam uma bolada de 14 salários. Foi uma festa! Mas, com o tempo, foi visto que a coisa não era bem assim. A idéia da empresa era estimular a competitividade entre o nível tático. E isso seria medido em um ranking... onde só 60% deles receberiam essa premiação. As nuances existiam, portanto. Ainda assim, porém, a pergunta de "o que eu ganho" estava respondida.

Um detalhe curioso: o dono da AmBev tinha um objetivo maior com isso. Ele queria mesmo era figurar entre os 100 mais ricos do mundo, na Forbes, e poder voltar a morar na Europa. Logicamente se ele dissesse isso na empresa jamais teria o apoio que teve. Já imaginaram uma atitude coletiva para atingir um objetivo destes?

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Essa é a essência da gestão de competências: criar uma atitude coletiva na empresa para atingir uma visão de futuro. O entendimento de que isso só será possível com a correta gestão de pessoas é importantíssimo, pois são estas pessoas que irão empurrar a roda para que o objetivo maior seja atingido.

Eu escutava isso durante a aula e não podia deixar de fazer analogia com o agile. Afinal, ambos os conceitos vão de encontro pois tem o foco na valorização das pessoas e equipes para atingir um resultado.

Pretendo, na medida do possível, aplicar este conceito no meu trabalho. Será uma tarefa difícil, mas eu vejo isso como um norte que eu precisava. Eu já possuia alguns objetivos que pretendia que fossem atingidos tais como transformar o laboratório de pesquisa em referência dentro da universidade. Visualizei na gestão de competências o conceito ideal para aplicar isso com uma mecânica certa e bem definida.

Portanto, meus amigos, se tudo der certo eu começarei a divulgar aqui no blog todo o que tenho feito para implantar e trabalhar com este conceito no meu trabalho. E vamos ver que resultados eu irei atingir. Espero que seja uma nova fonte de lições aprendidas para todos nós.

Se você gosta de agile, tenho certeza que quando procurar na internet um pouco sobre gestão por competências, vai se apaixonar mais ainda. :)

Um abraço

Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Seleção de pessoal. Uma tarefa difícil!

Pois então.

O projeto de três anos foi aprovado. Agora terei a missão de formar uma equipe talentosa e capaz de realizar o projeto da melhor maneira possível.

Minha grande dúvida é: como identificar os aspectos comportamentais de um candidato? Lancei a pergunta na lista de "Agile-Brasil" e recebi algumas respostas bacanas. Vou compartilhar com vocês.


O Daniel Wildt respondeu o seguinte:


Qual o teu foco de contratação? Estagiários? Pessoas com experiência em TI? CLT? PJ? Consultor? Tudo isto vai influir em que perguntas devem ser feitas.

Lembrar que a pessoa deve se ambientar ao time e vice-versa. Teu time será efetivo e vai entregar software se as pessoas saberem trabalhar como uma equipe. A pessoa deve ajudar e buscar ajuda. A pessoa deve ser crítica com relação ao que faz e saber sugerir melhorias e indentificar algo que não esteja de acordo no trabalho sendo desenvolvido, para permitir a geração de ações de melhoria contínua. Que excelência técnica deve ser buscada por todo o time. Deve gostar de se comunicar com o cliente, e também com os colegas de trabalho, para poder conhecer mais do que deve ser desenvolvido e entregue para o cliente.

Vais procurar por softskills, isto é um problema em muitos dos casos de entrevistas. Em uma entrevista, a pessoa pode estar nervosa ou ter um curso de teatro e tudo pode parecer maravilhoso ou horrível.

Resumindo tudo isto... tomar cuidado com uma seleção estilo "blink". Evita os pré-julgamentos.
http://en.wikipedia.org/wiki/Blink_(book)

Uma referência legal:
http://webinsider.uol.com.br/index.php/2006/10/09/identificar-contratar-e-reter-talentos/


O Manoel Pimentel respondeu:


Olá Flávio, legal sua questão.

Creio que só uma entrevista simples não lhe revelará esses traços,
portanto, de repente você poderia fazer dinâmicas de grupo com os
candidatos, com objetivo de identificar esses perfis desejados.

Mas caso não seja possível aplicar essas dinâmicas, talvez seja
interessante, fazer no lugar de uma entrevista formal, uma espécie de
bate-papo informal, para analisar quais as reações dos candidatos as
diversos tipos de questões e principalmente observar se eles terão a
iniciativa de "puxar" algum assunto novo dentro do tema em questão e
de que forma eles se comportam dentro de um diálogo, inclusive você
pode simular questões de concordância e questões de divergências de
idéias para instanciar diferentes climas durante a conversa, assim
será possível avaliar as reações dos candidatos a situações normais e
a situações tensas.

Agora caso queira algo mais formal e com técnica (porém mais difícil
de aplicar), uma boa alternativa é o teste de PI(Predictive Índex),
que é um forma bem técnica e embasado por princípios de psicologia
para identificar e avaliar perfis (ver mais informações nesse fórum:
http://www.via6.com/topico.php?tid=41689).


O Rodrigo Araújo:


Olá Flávio, aqui no Centro de Informática da UFPE nos temos um grupo de pesquisa com o professor Fábio Queda que aborda justamente esse ponto de formação de times baseados em perfis. Em quase todos nossos trabalhos temos nos baseados nos perfis de Belbin (http://www.belbin.com/), porém o acesso aos questinários para avaliação dos perfis é pago. Se você ou mais alguém se interessar pelo assunto posso passar links para artigos e teses que temos publicado a respeito desse assunto.


O Roberto Brum:


Se você será o responsável, você deverá se sentir bem com ele, deve ter empatia. Faça perguntas abertas para fazê-lo falar.

Sugestão (se você nunca fez entrevista de emprego): Comece falando da empresa, dos produtos, da política, para ver se interessa ao candidato. Não adianta contratar alguém muito bom se ele não se sentir bem no ambiente. Depois de apresentar a empresa, você pode ir lendo o currículo e fazendo perguntas como:

Por que você saiu desta empresa?
O que você mais gostou quando trabalhou lá?
O que menos gostou?
E o que te deixou orgulhoso neste emprego?


Por fim, o MT veio com uma resposta bacana:


Algumas dicas que aprendi nos meus tempos de Rational Software:

1 - Envolva mais pessoas. Não sei se é possível agora, mas ter pelo
menos 3 pessoas em cada entrevista dilui riscos e permite que
aspectos sutis sejam captados com mais facilidade. Quando o candidato
sair, façam o "debriefing" imediatamente e anote na ficha do cara.

2 - A palavra final deve ser de quem vai trabalhar com o candidato.

3 - Elabore uma lista de características que vc quer, separando-as
por categoria. Ex: Conhecimento Técnico, Habilidades Interpessoais,
Iniciativa e Liderança, etc. Tente, em cada categoria, fazer uma
lista de "features" que essa pessoa deve ter. Ex: em Liderança, ver
se já participou de gremio ou centro academico. É sindico do predio?
Já foi orador da turma? etc,etc, etc. Vc tem que dar "notas"
ou "ok's" para esses pontos durante a entrevista.

4 - Use uma abordagem "comportamental". Existe uma técnica
chamada "behaverial interview", que usa o passado da pessoa para
saber como ela é. Em vez de perguntar "como vc lida com conflitos"
ou "se houver um conflito com outra pessoa, como vc resolve?", vc
pergunta assim, como quem não quer nada "me conte, vc já teve alguma
discussão no trabalho? Já enfrentou algum tipo de problema com algum
colega? Conte-me mais, como foi? Conte o 'causo' em detalhes". E vá
explorando a história, perguntando detalhes do que o candidato fez na
situação. A idéia é que as pessoas não mudam muito e o que o cidadão
fez no passado é um sinal muito bom do que ele fará no futuro na
mesma situação.

Um exemplo interessante: uma vez, fui entrevistar um candidato em
cujo curriculo as palavras "lider" ou "liderança" apareciam um monte
de vezes. Perguntei-lhe se ele já tivera a experiência de 2 membros
da equipe dele discutirem ou discordarem em algo. Depois, perguntei o
que ele fez para solucionar a questão. Resultado: ele, mesmo, nunca
resolveu nenhum conflito de colegas ou subordinados, sempre levou
para a gerência. Que tipo de liderança esse cara mostrou?

A lista de características combinada com a abordagem comportamental é
uma ferramenta muito poderosa.

Finalmente, considere ter 2 ou 3 entrevistas, sendo uma geral, uma
técnica e uma para aspectos pessoais.


Enfim. Se você está pensando em selecionar os seus candidatos, vale a pena ler as sugestões e adaptar da melhor forma na sua empresa. Acredito que o ideal seja não decidir com base em UMA entrevista e com UMA opinião. As percepções podem enganar e nos fazer realizar escolhas que depois iremos nos arrepender...

Abraços!

Sábado, 14 de Junho de 2008

A dispensa

Conforme eu mencionei em um post anterior, sexta-feira foi o dia em que eu tive que dispensar um funcionário do grupo. Então como prometido, vou contar como foi.

Cheguei no trabalho por volta das 13h30, pois tinha uma reunião importante às 14h. O funcionário já estava lá. Falei que queria conversar com ele, mais tarde. Como havia gente em volta, falei que era a respeito do projeto.

Então fui conversar com um dos meus chefes e falei da minha decisão. Ele concordou e me listou os trâmites para oficializar isso: cancelar o acesso dele no andar, pegar o crachá, etc.

Pelas 17h, chamei o funcionário para conversar. Então falei, já na sala de reuniões, que eu tinha duas notícias ruins. A primeira, a respeito do projeto em que ele estava trabalhando... que havia sido modificado totalmente e que, portanto, tudo o que ele havia feito não teria mais utilidade. Decidi por falar isso como forma de já deixá-lo desmotivado e para que ele entendesse o motivo da segunda noticia ruim...

Então falei que a notícia era que eu havia decidido pela dispensa dele do grupo. Na hora eu notei que foi aquela surpresa para ele. Ele realmente não esperava.

Comecei a parte chata, a da justificativa. Eu considero "chata" pois por mais que a gente fale, sempre fica a impressão de que a gente está mentindo ou falando por falar... por mais sincero que seja.

Disse para ele que infelizmente os projetos que viriam a seguir iriam exigir uma equipe que tivesse experiência em programação. E que ele não tinha essa experiência ainda. Logo, ele sofreria uma pressão enorme para cumprir coisas que ele não teria o preparo necessário. E infelizmente não teríamos como treiná-lo para fazer as coisas.

Falei que eu estava fazendo aquilo para preservá-lo, por mais estranho que parecesse. Eu comentei que já havia vivenciado essa situação em que ele se encontrava: entrar num emprego num projeto, ver o projeto morrer e dai ficar um "severino" dentro da empresa, ou seja, um aparador de arestas, um faz-tudo sem objetivo concreto. E, ao contrário do que aconteceu comigo, eu preferia cortá-lo agora do que deixá-lo cozinhando nessa situação expondo ele a conflitos desnecessários. Ele não ia aproveitar em nada o período lá.

Ou seja, seria ruim para a empresa/grupo (que não poderia contar com as tarefas dele sendo finalizadas), ruim para mim (que seria o responsável por "não cobrar ele") e ruim para ele (que não conseguiria atingir os objetivos e veria sua auto-confiança ser esmagada).

É claro que eu não consegui falar isso de uma forma tranquila, pois eu estava um pouco nervoso (não no sentido de bravo) e quando fico assim tendo a falar e repetir demais algumas coisas. Mas sempre deixei claro pra ele que ele não estava sendo dispensado por ser incompetente (e ai eu quis ressaltar bastante isso), mas sim por causa do perfil dele não se encaixar nos próximos projetos.

Terminei falando pra ele desabafar, caso tivesse algo para dizer. Alguma reclamação quanto a mim ou aos demais, ou a forma como havia sido conduzido tudo. Ele disse que só havia ficado meio desmotivado no inicio do ano, quando foi o pico da vida de "severino" dele. Eu concordei e reforcei que era exatamente disso que eu queria preservá-lo, novamente. Pois fatalmente ele cairia nessa situação. Então ele disse que fora isso ele achava que tudo havia ocorrido da forma certa, para ele.

Então disse que se ele precisasse de referências ou de alguma ajuda, que podia contar comigo, pois faria o possível para ajudá-lo. Me despedi dele e falei para segunda-feira ele ir até a empresa para encerrar o contrato e fazer a burocracia.

Me despedi e ele voltou para o laboratório. Notei que parecia que ou a ficha dele não havia caído, ou que ele estava se sentindo mais leve... pois ele conversava com os demais como se nada tivesse acontecido. Achei isso um bom sinal, demonstrando que ele não estava bravo ou insatisfeito.

Enfim, afora o meu nervosismo na hora de comunicar ele (afinal, é uma situação ruim de lidar), acho que fiz o que eu podia para amenizar essa situação ruim. E acho que funcionou. É a segunda vez que dispenso alguém... e dessa vez a coisa foi melhor.

Um dos meus chefes aparentemente não gostou muito da situação. Ele estava viajando e só soube quando a coisa já havia acontecido. Mas como ele é mais apaziguador, eu acredito que ele deve estar pensando que "talvez se déssemos outra chance pra ele" ou coisa similar. Mas, como eu disse, eu tenho CERTEZA de que isso só atrasaria a vida do funcionário.

Ele é novo, tem menos de 20 anos. Nós não poderíamos ajudá-lo a crescer ali dentro, então nada melhor do que fazê-lo ter oportunidades melhores e reais em outros locais. Acredito que ele será um excelente profissional e torço para isso. Só que infelizmente temos que tomar esse tipo de decisão, algumas vezes. Temos que pensar na empresa e nos interesses de cada um (meu e dele, por exemplo). Logo, se duas dessas três variáveis dizerem que temos que dispensar alguém, é melhor fazer logo. Adiar, normalmente é a pior decisão de todas.

Um dia intenso... mas com um bom aprendizado.

Abraços

Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Hoje vai ser um dia .... ruim.

A vida de um gerente tem o lado bom e o lado ruim.

Normalmente podemos dizer que o lado ruim depende de um ponto de vista... podemos transformar dificuldades em desafios e oportunidades. Discussões e conflitos sempre vão existir e cabe a cada um saber lidar com isso da melhor forma possível. Como dizia aquela frase clássica do Che Guevara, que todo mundo copia: "Hay de endurecer, pero sin perder la ternura".

Pois bem... hoje vai ser um dia em que o lado ruim não tem lado bom. É ruim mesmo. Será o dia em que eu terei que dispensar um funcionário.

Acho que cabe contextualizar a situação desse funcionário. Ele é bem jovem, está no terceiro semestre da faculdade. Eu mesmo fui o responsável por contratá-lo, para um outro projeto. Ainda me lembro que na seleção ele me chamou a atenção por participar de diversas atividades extra-curriculares, que envolviam robótica, no colégio dele. Me chamou a atenção mesmo e não nego que isso foi um diferencial dele para os demais.

O projeto em que ele participaria envolveria o desenvolvimento de uma aplicação para um Palmtop, utilizando uma linguagem de programação recente. Logo, ele aprenderia a linguagem e desenvolveria um sistema iterativo, começando pelo básico até chegar em algo mais robusto. O prazo era grande, não haveria tanta pressão. Infelizmente o projeto acabou morrendo. O possível cliente perdeu o interesse.

O que aconteceu então? O funcionário passou o resto dos meses pulando de projeto em projeto. Fazendo atividades monótonas e sem valor algum. Obviamente a motivação dele foi lá para baixo. Eu já vivi essa situação em uma empresa e sei como é ser sub-utilizado. É desmotivador na sua essência!

Então surgiu a oportunidade de utilizar ele em um outro projeto (daqueles de última hora que nos jogam). Ele desenvolveria um simulador para dispositivo móvel. Novamente pude ver como ele se motivou para fazer isso. Ele estava sempre trabalhando e buscando uma forma de fazer o simulador da melhor forma. Porém, o escopo foi modificado e o simulador foi deixado de lado (isso ele ainda não sabe).

Como a perspectiva dos próximos projetos são de que precisemos de pessoas com bastante experiência em desenvolvimento, eu e o meu colega conversamos ontem e concluímos que realmente não haveria como utilizar esse funcionário. Ele perderia tempo demais para aprender a programar da forma correta, utilizando os conceitos de mercado. E, além disso, concluí que mantê-lo para fazer com que ele fique de "severino" da empresa seria apenas atrasar demais o lado profissional dele.

Decidi, então, que o melhor seria desligá-lo do grupo. E hoje, se ele for no trabalho, irei dar a notícia.

É lógico que eu espero uma reação de surpresa e até com um pouco de indignação. Mas eu prefiro mil vezes cortá-lo agora, de uma forma mais sincera e sutil, do que mantê-lo e obrigá-lo a sofrer uma pressão e uma cobrança por algo que ele não terá capacidade de desenvolver. E eu sei que essa pressão vai existir no projeto. E fazê-lo passar por isso será pisar na motivação e, quem sabe, na auto-confiança dele.

É duro ter que dispensar alguém. Mas as vezes é melhor fazer isso logo, do que tentar insistir em algo que vai prejudicar a todos: eu, ele e o grupo.

Eu posto depois como foi a dispensa, como conduzi isso. Se tudo der certo, ainda hoje.

Abraços

Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Dia de decisões

Acho que nunca tive um dia tão cheio de decisões quanto hoje!

Parece que todos os projetos que estou envolvido decidiram ter o "Dia da decisão" ao mesmo tempo. Eu saia de uma reunião e ia para outra. Todas para decidir algo importante para o projeto.

Confesso que fiquei zonzo.

Então desculpem não postar nada mais hoje... amanhã prometo postar em dobro :)

Abraços!

Terça-feira, 10 de Junho de 2008

SCRUM como cultura... e não superficial

É comum a gente encontrar artigos na internet criticando o Agile e até mesmo o próprio SCRUM, em particular. Até mesmo em discussões esse assunto é recorrente. Eu considero que quem critica o SCRUM, na maioria dos casos (vale ressaltar), tem uma visão MUITO superficial do que os processos ágeis sugerem.

Não vou entrar no mérito da discussão destas pessoas. O meu foco é, novamente, mostrar porque é tão difícil de implementar o SCRUM em um ambiente hostil (como eu costumo chamar), como é o caso de um grupo de pesquisa onde os projetos não são vistos como deveriam ser.

Uma das maiores pré-condições para que qualquer processo ágil funcione é: COMUNICAÇÃO. Eu costumo dizer que o SCRUM é mais do que um processo iterativo: é um processo interativo, antes de tudo!

Partindo disso, podemos dizer que o esforço da implantação de agilidade em um lugar onde as interações não acontecem como deveriam, o SCRUM não funcionará corretamente. E é exatamente isso que estou vivendo no meu grupo de pesquisa.

Já cansei de falar de situações onde os coordenadores pegam alguns funcionários, sem me avisar, e alocam em outros projetos. Isso é recorrente, mas é uma das primeiras coisas que pretendemos acabar. Porém, ontem aconteceu algo mais crítico ainda.

Temos que desenvolver um protótipo para logística de ônibus até o início de Junho. Havia sido definido que faríamos uma maquete e um simulador que faria tudo em cima dessa maquete. Dois recursos seriam utilizados, um para desenvolver o "core" do simulador, e outro para desenvolver as aplicações extras.

Estava tudo bem, estávamos avançados até no sistema, inclusive já pensando em questões finais... quando ontem um dos meus coordenadores comenta que iremos utilizar GPS ao invés de simular.

Como assim?! Pois é, fizeram uma mudança enorme de escopo e, claro, não nos consultaram para ver da possibilidade de realizar a mudança. É assim... temos um prazo de menos de um mês e as coisas mudam para uma complexidade x². O simulador morreu. Agora iremos fazer um caso com um ônibus real. Haverá mapeamento, cálculos complexos, recepção de sinais de GPS, envolvimento com hardwares...

Obviamente toda a parte de produção (e os gerentes) foram os últimos a saber. E, claro, cortaram um funcionário e colocaram outro no lugar, sem nos avisar. De novo.

Vendo isso acontecer, de novo, eu me lembro do email que um dos coordenadores me enviou (e que causou aquele meu momento de raiva, há algum tempo atrás) e pego um trecho do email que tem muito a ver com isso:


- Nao vi nenhum de voces acompanhando o desenvolvimento disto com o Beltrano e/ou Sicrano (os dois da equipe atual) na ultima semana. Nao adianta simplesmente passar as tarefas para eles e nao acompanhar o desenvolvimento diario delas, assim como as dificuldades que eles estao tendo. Onde esta o scrum?

- Voces como gerente de projetos devem saber como as coisas sao/foram implementadas, pois voces sao a memoria da equipe. Se desenvolvedores saem da equipe, isto, em principio, nao deveria afetar em nada o trabalho em relacao a parte tecnica.

- Sempre falei que qq sistema deveria ser modular e de facil re-adaptacao. O codigo objeto deve ser realizado segundo as metodologias de projeto adequadas para que isto nao ocorra mais. Nao podemos ficar sempre tendo que reaprender codigo de outros. Onde foram para as metodologias de projeto? engenharia de sw?


Coloquei em negrito alguns trechos mais "interessantes" para mostrar a realidade: os coordenadores NÃO percebem que são ELES os maiores culpados disso tudo. Eles realmente NÃO percebem.

SCRUM em ambientes hostis... é um desafio. Eu estou comprando esse desafio. Mas, se não houver um envolvimento e comprometimento de todos, se a visão for superficial e a cultura de agilidade (principalmente COMUNICAÇÃO e INTERAÇÃO) não for absorvida, realmente não me restará outra opção a não ser abandonar o barco. Mudar uma cultura é difícil, eu sei. Só que se eles sequer estiverem dispostos a mudar, daí não tem porque ficar gastando energia a toa.

Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

Grandes verdades da humanidade: é impossível trabalhar em casas.

Se existe uma verdade absoluta e universal (diria até cósmica) é a impossibilidade de se trabalhar em casa (nem mesmo descansar!).

Na semana passada, estava meio ruim da gripe e decidi ficar em casa (quarta-feira). Pensei: "Vou adiantar alguns trabalhos pendentes, preparar um material e ler um texto".

Resultado: pela manhã fiquei resolvendo um problema no meu notebook (do trabalho!) e uma conta que a operadora de cabo havia feito cobrança indevida. Pela tarde, li UM PARÁGRAFO do texto e tive que resolver pelo menos dois problemas para a minha mãe e ainda lidar com a falta de internet (que me impossibilitou de ler os emails).

Não adianta. Você pode fazer o que quiser para tentar trabalhar em casa. Mas com certeza será exatamente no dia em que todos os planetas do sistema solar se alinharão e se voltarão contra você, fazendo TUDO dar errado.

Existe uma série no Multishow chamada "Cilada", que eu acho muito divertida. Um episódio o ator aborda exatamente isso, como é difícil tirar um dia de semana em casa para descansar ou trabalhar. Assistam e me digam se é ou não é verdade :)

Parte 1


Parte 2

Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

O dedo de Deus

Essa semana foi finalizada com o dedo de Deus.

O que eu temia que aconteceria, aconteceu: eu tentei enrolar, mas acabei marcando com o cliente a apresentação do sistema para a quinta-feira passada. Obviamente nosso desenvolvedor part-time não havia conseguido finalizar o sistema.

Eu já estava perdendo os cabelos com isso, pensando no que eu faria para resolver.

Então o dedo de Deus entrou em ação. Deu um "peteleco" no responsável pela homologação, lá no cliente, e ele me enviou um email dizendo:


Flavio,
Devido a outras atividades terei que desmarcar a reunião de amanhã as 14:00, assim que possível retorno para combinarmos uma outra data, provavelmente no começo da semana que vem.


E eu respondi: "Poxa, que pena, Márcio. Tudo bem então. Aguardo teu contato na semana que vem".

YES!!!! YES!!!!

Foi a melhor notícia que eu poderia ter tido. Sensacional.

Essa realidade é triste, analisando friamente. Mas na realidade em que eu vivo, situações como essa são de uma alegria inimaginável. Pelo menos até termos verba para montarmos a equipe de software!

Abraços

Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Alinhando o planejamento estratégico com o tático

Como eu sinto falta de saber o que os diretores da empresa e os coordenadores do grupo estão pensando. É impressionante como falta comunicação na maioria das vezes.

Essa semana irei apresentar o sistema para o cliente que eu atrasei na semana passada (que gerou o email da confusão). Dai tenho que sair correndo atrás dos meus chefes para saber qual é o plano deles para o seguimento desse projeto. Continuaremos fazendo protótipos? Vamos propôr um sistema já? Vamos deixar em stand-by?

Como eu posso ir para uma reunião com o cliente sem saber o que posso "prometer"?

É complicado. Não adianta, sem um bom plano de comunicação vai ser beeeem difícil.

Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

A dura realidade de um grupo de pesquisa...

Eu já havia dito anteriormente que uma das coisas mais terríveis de gerenciar um projeto em um grupo de pesquisa é ter a disposição normalmente uma equipe composta por bolsistas nos primeiros semestres, sem experiência e tudo mais.

Porém, outra coisa que é terrível, sem duvida nenhuma, é o outro lado da moeda: encontrar boas pessoas para trabalhar e ver elas indo embora sem ter uma chance de lutar contra.

A equipe que o meu colega dirigiu, no projeto dele, era sensacional. Era formada por um desenvolvedor multiplicador (daqueles que não só faz as coisas bem, mas também influencia e treina os demais) e outros bons desenvolvedores. Todos sairam ao final do projeto para a empresa parceira do projeto (que infelizmente não é a que eu trabalho). O único restante, que dava uma baita mão para nós, vai viajar para a Austrália no fim da semana que vem.

Agora, da minha equipe, tenho três bons desenvolvedores. São tecnicamente muito bons, mas tendem a se dispersar facilmente, um dos únicos defeitos deles. Um deles, o mais "geniozinho", recebeu uma proposta para ir para uma empresa. Hoje me mandou um email querendo conversar...

Ele está com vontade de ficar, caso trabalhe com hardware (coisa que não conseguiu fazer nesse nosso projeto). Eu não sei o que responder, pois o novo projeto só será aprovado daqui um mês, mais ou menos. E não vou ser desonesto prometendo algo e fazendo ele perder uma oportunidade.

Estou sentindo que infelizmente perderei outro bom funcionário.

É a dura e triste realidade de um grupo de pesquisa. E também das micro e pequenas empresas... manter seus cérebros. Uma pena.