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Sábado, 31 de Maio de 2008

Aprendiz 5 ou Apprentice 6?



Semana passada encerrou no canal People'n'Arts o programa The Apprentice LA, a sexta versão do "Aprendiz" com o Donald Trump. O programa que foi idealizado para o próprio, trouxe candidatos com vasta experiência (inclusive uma bi campeã Olímpica a qual o Trump se derretia sempre que podia) e algumas modificações: na sexta edição, a equipe que perdia uma prova dormia em barracas no pátio de uma mansão. E a equipe vencedora, ficava dentro da mansão. Também, o líder vencedor ficava como líder na próxima tarefa. Foi uma edição inferior em alguns conceitos, em relação à temporada 5, mas que trouxe muitas coisas legais.

Já o Aprendiz 5 - O sócio, traz novamente o Roberto Justus buscando por um sócio. Uma das modificações interessantes aplicadas nessa edição foi a possibilidade da equipe vencedora acompanhar a sala de reuniões. Dessa forma, o Justus garantia que TODOS saberiam o que era esperado por ele.

Criei este post para comparar essas duas edições. Apenas por diversão, mas também para discutir alguns assuntos interessantes sobre gerenciamento e negócios em culturas diferentes (EUA e Brasil).

O PROGRAMA
Falando especificamente do programa, posso dizer sem medo que a edição americana é muito melhor. Seja na edição, seja na proposta. A idéia de ter um "sócio" já é um tanto forçada. É difícil para mim, pelo menos, aceitar que realmente o vencedor do programa será um sócio do Justus... você, caro leitor, escolheria um sócio baseado em um programa de televisão onde se sabe que um tenta passar a perna no outro?! Seria o mesmo que propôr sociedade ao Rafinha, do BBB. O Donald Trump SEMPRE buscou um aprendiz, alguem que iria conduzir uma grande obra dele (geralmente uma construção).

Ainda sobre o programa, em geral, ambas as edições forçam demais em mostrar os prêmios das equipes vencedoras. Ora, quem assiste o programa quer tirar lições sobre os acontecidos, quer se colocar no lugar daquelas pessoas e se imaginar: "o que eu faria?". Então pra mim é extremamente entediante assistir a equipe vencedora com seu prêmio (seja uma viagem para Las Vegas, seja um simples jantar em um restaurante rico). O foco, no meu ver, deveria ser tanto na prova (bastante) como na sala de reunião (onde as lições aprendidas são discutidas).

Por fim, algo que me incomoda MUITO é a chamada do programa. A chamada do programa do Aprendiz americano nós não sabemos ao certo dizer, pois ela é criada pela People'n'Arts (a edição seis, que passou recentemente, foi realizada no ano passado!). Mas quando eu ouvi o Roberto Justus anunciar com tom de suspense "Quem será que eu vou demitir hoje?", me soou novamente falso e até mesmo desrespeitoso. Como se o programa não fosse para ver quem será o sócio dele, mas sim quem será esculachado e demitido.

Ponto para o Trump.

MERCHANDISING
Esse é um dos maiores problemas da edição brasileira: o merchandising descarado. Ocorreram alguns episódios em que o Justus chegou a convidar os participantes para "pegar leve, pois pegar leve é com a Nova Schin". Isso é algo que soa tão falso, mas tão falso, que é impossível não ter uma das duas reações: ou rir ou torcer o nariz. A edição americana também faz algum merchandising, mas na edição 6 nada incomodou. São referências do tipo: "Hoje vocês trabalharão na empresa XYZ, uma das maiores e mais completas dos EUA com mais de 100 filiais e bla bla bla". Ora, é um programa de negócios, então aparecer alguma empresa dessa forma não soa falso. Agora eles pararem uma tarefa para "pegar leve"? Foi terrível!

Ponto para o Trump.

TAREFAS
Aqui há um equilíbrio. Ambas edições tiveram tarefas interessantes e tarefas chatas. Enquanto, porém, a edição americana trata as tarefas de forma BEM objetiva, ou seja, "vence quem vender mais ingressos para o evento", as brasileiras costumam trazer algumas coisas escondidas. Na tarefa do primeiro episódio, foi dito claramente que a equipe teria que vender patos. Mas o que as equipes não se deram conta foi de que além da venda em si, eles teriam que organizar um evento em uma cidade. O objetivo, então, não é tão claro. Acho que isso é interessante e ruim também: interessante pois força as equipes a pensar e serem criativos. Ruim, pois deixa margem para "mal-entendidos", como foi o que aconteceu até agora.

A edição brasileira seria a vencedora, MAS a tarefa em que o Justus colocou eles em um programa de perguntas e respostas, foi constrangedora. A "desculpa" de que o Justus queria alguém com bons conhecimentos gerais não justifica a prova (que novamente foi um merchandising descarado para a Sky). Um dos temas era ESPORTE. Outro era CINEMA. Ora, quem vai escolher um sócio só porque ele sabe quem é a atriz tal ou sabe quem venceu tal Olimpiada? Foi constrangedor também a sala de reuniões desse episódio. Serviu apenas para o Justus desmoralizar a maioria dos candidatos. Essa prova foi tão forçada, destoou tanto das demais, que eu vou ter que dar um empate.

Empate técnico.

EQUIPES/PARTICIPANTES
Nossa. Aqui a edição americana dá de relho. Eu diria que os aprendizes do Justus (os vencedores) iriam penar para irem para a final da edição americana, do Trump. É impressionante o despreparo dos candidatos brasileiros. Eles cometem erros tão básicos, que faz a gente duvidar realmente se eles estão lá por capacidade ou por indicação amiga. A coisa seria de relho mesmo, se fossem comparadas outras edições, pois na edição brasileira já apareceu candidato que "demitiu" o Justus (procurem no Youtube), já apareceu candidatos que na frente das cameras tentou subornar os fiscais! A edição americana não ficou atrás. O primeiro a ser eliminado, nessa temporada, foi eliminado por "ser arrogante". E era demais. Outro falou durante a reunião que era "escória... pau para toda obra", o que irritou o Trump e o demitiu na hora.

Porém, como a comparação é só entre a edição 5 BR e a 6 US, a diferença fica mínima para a edição americana. O candidato mais forte brasileiro, na minha opinião, é também o mais controverso (falo do Henrique). O cara se mostra muito entendido, mas sua personalidade é tão forte que a gente não consegue gostar dele. Já a edição americana teve um dos grupos mais fracos de candidatos. A vencedora (Stefani) era uma executiva que eu contrataria para ser minha chefe, tamanha a desenvoltura e capacidade.

Sendo assim, eu diria que o Trump novamente tem uma leve vantagem.

Ponto para o Trump.

CONSELHEIROS
Acho a coisa parelha aqui. O Justus costuma usar o seu velho amigo Walter Longo. É um conselheiro com posições fortes e corretas. As vezes costuma utilizar, durante as provas, donos das empresas que os participantes fazem a tarefa, ou algum consultor do Sebrae. Já o Trump, além dos donos das empresas, usa seus ex-aprendizes e também seus filhos, Trump Jr. e a ma-ra-vi-lho-sa Ivanka. Se eu fosse injusto, diria que o Trump vence por causa da Ivanka. Além de linda e estonteante, ela é inteligente e muito competente. Fala com a desenvoltura da sucessora do Trump. Mas...

Empate técnico.

OS CHEFÕES
Li o livro do Roberto Justus, "construindo uma vida". Achei muito bom e acho que realmente a vida dele foi sensacional. Não conheço a história do Trump, mas o império que ele construiu (pelo menos 5x maior que o do Justus) não deve ter sido por herança.

No programa, eu não tenho como mentir. O Donald Trump é 100000x melhor do que o Justus, como "chefe" do programa. Ele passa mais confiança, imponência. Ora, até hoje não vi ninguém "demitir" o Trump. O Trump também costuma pressionar, mas nunca vi ele faltar com o respeito com os candidatos. Houve uma tarefa em que ele demitiu a sua "favorita" (Heidi) em que ele achou terrível a tarefa dela. Mas foi enfático dizendo que não havia gostado do trabalho, sem porém esculachar o que ela fez (ela travou na apresentação de forma constrangedora).

O Justus, ao contrário, é muito apresentador. Toda edição ele tem que falar com o público em casa. "Quem eu vou demitir hoje? Quem será que vai me impressionar?". Isso cansa e soa falso. Ele também não transmite a imponência necessária. E, para mim, essa falta de imponência faz com que ele pressione os candidatos de forma desrespeitosa, na maioria das vezes. Já debochou das equipes, quando fizeram um mau trabalho, por exemplo. Enfim, aqui o resultado é óbvio.

Ponto para o Trump.

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CONCLUSÃO
A edição americana é muito melhor. Quando deixa a desejar, iguala na edição brasileira. Não que eu seja daqueles que acha que "tudo que vem de fora é melhor". É que, geralmente (e infelizmente) elas realmente são.

Então.....

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

O Aprendiz 5 - Episódio 4

Este episódio foi mais interessante.

As equipes deveriam vender um kit de coco, que era composto por uma caixa de papelão onde cabia um coco, um coco (lógico!), um abridor de coco bem prático e um canudo. Eles receberam 500 cocos, cada equipe, e deveriam ter um dia para realizar o maior número de vendas do kit, contabilizando o valor total.

O legal dessa tarefa é que deveria haver um planejamento logístico, uma estratégia de marketing e de vendas. E novamente vimos dois opostos.

O grupo "Masters" decidiu partir para a venda no atacado, fazendo parcerias com pequenos empresários (mercadinhos, bares, etc). A idéia estava indo muito mal, então o líder resolveu assumir parte dessa negociação e conseguiu melhorar as vendas (claramente ele é o que tem melhor comunicação e relação interpessoal no programa). Venderam todos os cocos (no final, liquidaram 200 deles para não ficar com estoque).

O outro grupo "Foccus" tentou o varejo direto, ou seja, montar uma barraquinha na rua e tentar vender para as pessoas diretamente. Uma estratégia que se mostrou ineficaz e infeliz, sendo que aparecem eles até em sinaleiras tentando vender. Convenhamos, não havia a possibilidade disso acontecer.

"Foccus" já ia perder de qualquer forma, mas cometeram um erro ao não interpretarem corretamente uma norma da prova e foram desclassificados (derrota dupla!). Na sala de reunião, o Justus apertou eles e nos trouxe um ponto muito interessante. Como eles pretendiam vender um produto no varejo sendo que:

a) Não venderiam o coco pronto para beber (gelado)
b) Não possuiam nenhum marketing (folders, folhetos, slogan, etc)
c) Não possuiam nenhum efeito visual para chamar a atenção

Eles improvisaram as explicações para as pessoas, e isso foi fatal. Uma das meninas do grupo encontrou outras utilidades para o "fura-coco", como a possibilidade de utilizar para tirar caroço de outras frutas. Graças a isso, elas conseguiram vender algumas outras unidades.

Esse tipo de prova novamente apresenta a importância da comunicação e das relações interpessoais. Ambas equipes não pensaram corretamente no marketing, porém a comunicação do líder do "Masters" fez com que eles vendessem TODOS os cocos, graças a uma negociação eficiente.

A demissão ocorreu de forma justa, desta vez. O candidato bem apático saiu. Porém, vale ressaltar algo que ele comenta no fim do programa: "Claramente está havendo a criação de 'grupinhos', pois isto é um jogo afinal de contas". Isso não é mostrado nas edições, mas é inegável que ocorram coisas deste tipo para eliminar uns e outros e se proteger.

Ainda assim, foi um bom episódio, onde pudemos tirar algumas lições.

O que está ficando chato, vale dizer, é o mechandising descarado. Ouvir o Justus falando: "Convidei vocês aqui para pegar leve... com Nova Schin" soou tão falso e tão maquiado, que chegou a ser cômico.

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5

Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

O Aprendiz 5 - Episódio 3

Terça-feira, dia 13/5, foi ao ar o terceiro episódio do Aprendiz, do Roberto Justus.

Sinceramente, achei bem fraquinho o episódio, apesar de apresentar um contexto bem interessante.

A tarefa, desta vez, consistia nas duas equipes passarem dois dias em treinamento militar, onde seriam testados fisicamente e com raciocínio lógico (aquela coisa, deixam os caras atordoados e depois tentam ver se eles conseguem raciocinar com questões lógicas).

Descobri que o exército brasileiro abre essa possibilidade para executivos. A idéia é forçar as equipes a trabalharem em equipe, tentar identificar (ou reforçar) lideranças e ter conceitos de estratégia.

Cada equipe possui dois ou três instrutores que acompanham em todas as tarefas. O objetivo deles é apenas causar pressão. Eles a todo o momento ficam tentando atrapalhar e causar conflitos. Algo meio como o treinamento do "Tropa de Elite", mas em dose beeem mais leve hehe

As duas equipes tiveram problemas, nas no fim se sairam bem. Tanto que a vencedora foi a que errou bem menos. Com essa questão, o Justus tomou uma decisão diferente na reunião.

Como eu disse, em lições apreendidas, o episódio não foi tão interessante, apesar de trazer este conceito do exército para empresas. Vale a pena acompanhar o episódio só para conhecer isso.

Acompanhe o episódio abaixo, dividido em 5 partes:

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5

Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Palestra de SCRUM para turma de gerenciamento de projetos - II

Hoje, terça-feira, dei a palestra para o pessoal.

Confesso que estava um pouco ansioso no começo, afinal, será que conseguirei apresentar algo que muitos não conhecem, da forma correta? Eu costumo perceber que algumas vezes atropelo enquanto falo. Então tenho que me cuidar nas palestras para não atropelar.

Passei o dia preparando a apresentação, quando sobrava um tempo no trabalho. Eu queria ter tido a oportunidade de falar de diversas coisas, além do SCRUM, como comunicação, organizações, etc. Havia preparado uma apresentação com 60 slides, um número bem alto, mas que continham na maioria imagens para ilustrar.

Então, faltando 1 hora para a apresentação, resolvi ensaiar. Passada 1h20 do ensaio, eu percebi que ainda faltava coisa para acabar! Bateu o desespero!! Precisava reduzir drasticamente o número de slides e assuntos abordados. Fiz isso. Porém, isso me deixou um pouco inseguro, mas eu estaria alterando o meu plano... teria que improvisar um pouco. Mas nada que me preocupasse demais, pois é um assunto que eu me sinto à vontade para falar e expôr.

Testei o Powerpoint pelo menos umas dez vezes para ver se tudo funcionava (ainda mais os multimidias). Tudo ok. Pelo ensaio eu percebi que precisaria de bastante água, pois falar mais de uma hora é algo que deixa a garganta seca! hehe

Me encontrei com o professor substituto que me acompanharia na aula e fomos para a sala. Conversamos um pouco eu, ele e um mestrando dele, que também tinha interesse em metodologias ágeis e iria acompanhar a palestra. Foi uma conversa bacana, pois pudemos ver como todos nós praticamos um pouco dos conceitos de agile, mesmo sem perceber que é agile.

O professor comentou, num momento, que havia solicitado para um subordinado que ele realizasse por um período a seguinte agenda: chegar no trabalho, checar emails ou fazer algumas de suas coisas, e passar o resto do dia se comunicando com o pessoal. O subordinado reclamou: "O que? Mas eu vou acabar ficando sem fazer nada!!". No terceiro dia, ele já reclamava: "Poxa, eu não tenho tempo para fazer quase nada! Não sabia que haviam tantos problemas a serem resolvidos". Mais uma prova de que a COMUNICAÇÃO e as RELAÇÕES HUMANAS são os dois fatores mais importantes em um projeto.

Quando entrei na aula, de aproximadamente 40 alunos, haviam uns 5. Fiquei meio preocupado... "Será que o fato de não ser uma aula, ainda com um professor substituto e um palestrante de fora, o pessoal não vai matar a aula? Ainda mais iniciando às 21h?". Eram 21h já... e ao que parecia, seria mais um workshop do que uma palestra.

Por volta das 21h15 o pessoal começou a chegar e a sala encheu. Acho que deveriam ter umas 40 pessoas, mesmo. Mas o tempo ficou mais curto (ainda bem que reduzi a palestra a tempo!). Não perdi tempo e iniciei.

Usei basicamente o mesmo modelo daquela palestra que postei anteriormente (na dinâmica de SCRUM cujo link está ali do lado). Mas acrescentei algumas coisas interessantes para dar mais agilidade à palestra... sendo de noite, precisava colocar mais pontos de interação com o pessoal.

O link para baixar a apresentação é aqui.

Logo no início já fizemos aquele levantamento dos problemas que ocorrem nas empresas de TI. Todos os citados se encaixavam na tríade de causas "PESSOAS" "CLIENTES/STAKEHOLDERS" "PROCESSOS".

Em seguida, apresentei para eles um clipe que eu retirei do episódio 12 da 6a temporada do Aprendiz com Donald Trump. O vídeo mostrava 3 duplas que deveriam fazer uma campanha de marketing e vendas de um empreendimento do Trump. E o resultado foi que uma equipe encantou ele, outra fez uma coisa meia-boca, mas que pecaram fatalmente num item (telefone de contato errado no folder!!) e a outra dupla foi um desastre total.

O vídeo pode ser baixado aqui.

Analisamos então o que aconteceu com cada uma das equipes. E por fim, concluimos que a equipe vencedora havia trabalhado em equipe, se comunicado corretamente, estavam motivados e confiantes... e que, sem querer, eles usaram praticamente o conceito do AGILE!

Aí começa a palestra com toda a explicação sobre Agile e SCRUM. Todo o ciclo de vida... e é a parte mais "tensa" da palestra, pois ai sim vira um monólogo. Mesmo eu tentando interagir um pouco com o pessoal, eu noto que é difícil mantê-los atentos e interessados até o fim. Mas consegui levar bem, acredito eu.

Quando chegamos nas estimativas, em Planning Poker, eu fiz uma dinâmica que eu considerei bem divertida: escolhi 3 voluntários ("escolher voluntários" faz parte da brincadeira hehe) e dei para cada um jogo de cartas (metade de folhas A4) com alguns pontos em Fibonacci. 3-5-8-13-21.

A dinâmica consistia em: eu falaria o nome de um país, e eles deveriam estimar o tamanho do país em extensão territorial, sendo 3 para países pequenos e 21 para países grandes. Escolhi países que eu achei que eles não fossem saber ao certo.

Dividi em 2 países em 2 rodadas. A grande sacada aqui era a seguinte: na primeira rodada, eu iria INFLUENCIAR o resultado. Então os países eram Tunísia e Mongólia. Eu tentei induzí-los ao erro falando: "Estimem então a Tunísia, um dos maiores países da África". Eles começaram a rir, mas o resultado saiu que cada um colocou uma coisa diferente. Dai discutimos porque do maior e o menor valor e fizemos outra rodada. Para a Mongólia, eu induzi eles falando: "A Mongólia que é um pequeno país na Ásia oriental". Mas um aluno lá no fundo da aula já falou "Mas a Mongólia é um país grande!!". hehehe Tive que tentar manter o foco, fingindo que era um país pequeno.

Na segunda rodada, eu apenas falava o nome dos países. Marrocos e Chile. Para minha surpresa, aqui houve quase consenso nos dois casos. Talvez porque eu tenha usado países que são teoricamente conhecidos (da próxima vez vou pegar uns mais malucos!).

Aplaudimos os voluntários e perguntei a eles se eles notaram o motivo de eu ter feito duas rodadas. Após algumas respostas, um matou a charada: "Tu induziu eles à responderem!".

Expliquei então das vantagens do Planning Poker: tornar o ambiente de estimativa algo divertido, como foi a dinâmica. Facilitar a discussão das estimativas e evitar que ocorra influência de uma pessoa, já que todos estimam ao mesmo tempo.

Continuei então a palestra, aqui notei que o pessoal já estava mais ativo novamente. Chegamos então para explicar a Sprint Review. Falei de como deveria ser, alguns conceitos interessantes para serem aplicados... e quando mencionei que o Sprint Review evita os 99%, apresentei outro vídeo divertido que era uma propaganda da EDS. Mostra um avião sendo construido no ar.

O vídeo pode ser baixado aqui.

Continuando, finalizei a palestra e entrei nas conclusões. Aqui o pessoal já estava se mexendo na cadeira para sair... normal, já eram 22h30 e mesmo que o assunto seja o mais interessante possível, todos já estão cansados.

Aproveitei o último slide para mostrar uma "receita para aplicar SCRUM" na sua empresa. A idéia era me contradizer, pois no início da palestra eu havia dito que não havia fórmula mágica para nada, nem receita de bolo.

Mas a minha receita para quem quer começar a introduzir o conceito do Agile/SCRUM na sua empresa é:

1) Introduza as daily meetings

2) Crie um product backlog do seu projeto

3) Crie o conceito de "time box"

4) Crie uma taskboard

5) Faça uma retrospectiva

Eu tenho a convicção, pela experiência que eu tenho, que se você colocar esses conceitos em prática na sua empresa, você começará a ver resultados em pouco tempo. Você pode não estar aplicando o SCRUM propriamente dito, mas estará maximizando a comunicação e, principalmente, introduzindo um processo simples e prático de gerenciamento.

Finalizei a palestra falando da dinâmica que faremos na 3a-feira que vem, que eu acredito que será muito divertida. Aprenderemos muitos conceitos de SCRUM na prática, com uma brincadeira. Será uma aula bem diferente, que todos poderão tirar suas lições aprendidas e relaxar.

Ao final da palestra, alguns alunos vieram conversar comigo para tirar dúvidas e bater papo sobre SCRUM. É nesse momento que a gente tem um feedback do pessoal. Pelas pessoas que conversaram comigo, percebi que todos entenderam o conceito do agile. E mais do que isso, viram como é simples e benéfico aplicá-los. Isso é muito bom, eu espero mesmo que todos os alunos na sala apliquem pelo menos um dos itens que eu citei acima, e comece a perceber como uma simples mudança de processo/atitude, resulta em grandes resultados.

Dois alunos me falaram uma coisa que eu achei que valeu pela palestra. Comentaram que não costumavam ficar até o final da aula, durante o semestre. Mas hoje não só ficaram até o fim, como foram os que sairam comigo conversando e papeando sobre as metodologias ágeis. Esse é um dos melhores elogios que um palestrante pode ter. :)

Fazendo um balanço da experiência, posso dizer que foi muito bacana. Apesar do horário extenso e de alguns momentos de monólogo, consegui segurar a atenção do pessoal por muito tempo. As dinâmicas foram legais e os vídeos deram um ar bem informal e prático à palestra.

Talvez eu deva reduzir um pouco mais a apresentação, de forma a não tornar muito cansativo e extenso. Mas a experiência foi feita e o resultado acredito que tenha sido bom.

Agora notei como vida de professor é difícil. Falar durante 1h30 é cansativo! Sem contar toda a preparação para a apresentação...

Se você é um dos alunos da palestra, por favor, poste aqui seu feedback. Pode ter certeza que isso será de grande valor para mim. Afinal de contas, como eu disse, VALOR é a alma do agile ;) hehe

Arquivos para download:

Apresentação
Vídeo Aprendiz
Vídeo Avião construído no ar

Um grande abraço e até mais! :)

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PS: O video do Aprendiz eu faço upload no dia 14. Ele tem 100mb...

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

O Aprendiz 5 - Episódios 1 e 2

O Aprendiz 6 - O Sócio, do Roberto Justus, começou.

Eu confesso que não acompanhei muito as outras edições, sempre preferi acompanhar o do Donald Trump (acho ele mais "divertido", pois é implacável). Minha grata surpresa foi que o Roberto Justus também se tornou implacável na sala de reunião.

A edição traz 16 participantes que disputam com provas simples e/ou complexas o prêmio de 2 milhões de reais para abrir uma sociedade com o Justus. A diferença dessa edição, para a anterior, é que o Justus ao final pode "comprar" o negócio do seu sócio, caso não esteja satisfeito com o resultado.

A contar pelo que aconteceu nas duas primeiras edições, isso não será uma surpresa...

O episódio 1 abriu com a divisão das equipes, em forma de sorteio. O Justus solicitou dois voluntários para serem os gerentes de projeto, e dois já se dispuseram prontamente. [A minha estratégia aqui seria de não ser GP nas primeiras tarefas. É uma queimação de filme, não se conhece ninguém e não se sabe o rítmo e a rigidez que o programa encontra-se. O negócio seria se demonstrar bastante dedicado e solícito com todos do grupo, sem tentar passar alguém pra trás. Pelo menos seria a MINHA estratégia!]

A tarefa era bem simples: realizar um evento que ocorre mundialmente, que é relacionada com a venda de patinhos de borracha (aqueles amarelinhos, de banheira!) para restituir uma instituição de caridade. Cada equipe deveria organizar um evento (uma corrida de patos de borracha no rio) em duas cidades do interior.

O primeiro erro das equipes foi de achar que o mais importante era a venda de patinhos de borracha. Eles não se preocuparam com o evento em si. O resultado foi tão pífio que o Justus elegeu essa como a pior tarefa das 5 edições do programa, até hoje. De 10.000 patinhos, a equipe perdedora havia vendido apenas 650!!!

O evento foi duramente criticado pelo Justus, para ambas as equipes. Não houve uma mobilização da população das cidades e muito menos uma organização razoável (como prêmios para o dono do patinho vencedor, haviam oferecido uma bicicleta (!) e uma estadia em um hotel da própria cidade (!) ). Apesar disso, uma equipe venceu com o TRIPLO do valor vendido.

Abaixo, você pode acompanhar como foi a sala de reunião com a equipe perdedora. Vale a pena para aprender O QUE NÃO FAZER EM UM PROJETO DESTE TIPO!





A demissão ocorreu de forma justa, na minha opinião. A participante eliminada era totalmente desprovida de comunicação e "indignação". Os outros falavam mal dela, e ela não esboçava uma reação sequer. A gota d'água foi quando o Justus perguntou: "O que você tem para ser minha sócia?" e ela respondeu "Sou observadora".

É impressionante como alguém que passou outros 50.000 candidatos me sai com uma resposta dessas. Então a qualidade para um gestor de um negócio de 2 milhões de reais é ser... observador? O Justus demitiu ela sem nem pensar.

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O episódio 2 trouxe uma tarefa mais simples: as equipes tinham que comprar alguns apetrechos aleatórios (mas iguais para as duas equipes) pelo menos preço em um dia.

A grande questão era que eles não podiam dizer que se tratava de um programa de televisão e nem de uma competição.

Um dos líderes era uma pessoa bem "gerente de projetos": levou inclusive para o programa diversos livros sobre o assunto. Ele prometeu que colocaria todos no "eixo".

O que aconteceu? As duas equipes esqueceram das regras que estavam no contrato e que foram EVIDENCIADAS no início da prova. Uma tentou se passar que estavam fazendo um projeto de MBA (não vale!) e pior ainda, que era um documentário que passaria na televisão (não vale!!!). A outra equipe tentou usar o argumento de gincana (não vale!).

A equipe perdedora foi a mesma do episódio 1, perdendo por por algo como 35% de diferença. O Justus novamente evidenciou para as duas equipes que estava novamente decepcionado. Questionou eles como ele contrataria um sócio que sequer leu as regras do programa, no contrato em que assinaram? Uma mijada com a presença de todos na sala.

A sala de reuniões (posto assim que tiver o vídeo) não teve grandes emoções. O demitido foi uma pessoa que se mostrou meio "descontrolada" durante a tarefa, o que deixou a sua equipe pouco à vontade. Novamente o gerente de projetos escapou da degola [na versão do Trump, o gerente de projetos normalmente é o alvo mais certo da degola, em caso de uma derrota].

Enfim. O programa está bem legal. Passa terça-feira às 23h e (acho) quinta-feira às 23h. Vale a pena ver e aprender com as lições aprendidas dos outros!

Um abraço e acompanhem! Eu postarei alguns comentários aqui no blog a respeito :)