segunda-feira, 9 de junho de 2008

Em algum lugar do Brasil...

Mensagem da listeira "Keylla", na lista E-Plan. Uma realidade não tão distante... para ler e pensar.



Fui contratada por uma empresa, que não possui um histórico de gerência de projetos, para ajudar a colocar um projeto no trilho. Este projeto já está em andamento há uns 4 anos e já teve várias renegociações de prazos de entrega.

Desde que eu entrei para o projeto obtivemos consideráveis melhorias no seu gerenciamento, entretanto, chegamos em um ponto que tem me deixado sem ação (e me tirado o sono, também).

Este projeto, que é de desenvolvimento de software, tem sofrido com graves problemas técnicos: erros, usabilidade ruim e baixa performance. A cada dia que passa um novo problema surge, gerando um novo retrabalho. Por causa disso, apesar de ter conseguindo inserir um certo nível de planejamento e acompanhamento, confesso estar sem controle sobre o projeto, pois a cada dia precisamos alterar as prioridades das atividades dos membros da equipe para refazer alguma coisa que já estava pronta causando atrasos e mais atrasos.

Em outras palavras, a cada dia que passa novas atividades precisam ser inseridas no projeto, empurrando o final do projeto sempre para mais longe.

Gostaria de saber se alguém já passou por uma situação parecida e quais ações poderiam ser tomadas para gerenciar de forma mais efetiva esses projeto.


Sim, Keylla... TODOS nós já vivemos situações parecidas. Ou não é?

sexta-feira, 6 de junho de 2008

10 erros que um chefe não pode cometer, por Max Gehringer

Bem interessante :)

O dedo de Deus

Essa semana foi finalizada com o dedo de Deus.

O que eu temia que aconteceria, aconteceu: eu tentei enrolar, mas acabei marcando com o cliente a apresentação do sistema para a quinta-feira passada. Obviamente nosso desenvolvedor part-time não havia conseguido finalizar o sistema.

Eu já estava perdendo os cabelos com isso, pensando no que eu faria para resolver.

Então o dedo de Deus entrou em ação. Deu um "peteleco" no responsável pela homologação, lá no cliente, e ele me enviou um email dizendo:


Flavio,
Devido a outras atividades terei que desmarcar a reunião de amanhã as 14:00, assim que possível retorno para combinarmos uma outra data, provavelmente no começo da semana que vem.


E eu respondi: "Poxa, que pena, Márcio. Tudo bem então. Aguardo teu contato na semana que vem".

YES!!!! YES!!!!

Foi a melhor notícia que eu poderia ter tido. Sensacional.

Essa realidade é triste, analisando friamente. Mas na realidade em que eu vivo, situações como essa são de uma alegria inimaginável. Pelo menos até termos verba para montarmos a equipe de software!

Abraços

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Brasil x resto do mundo

Um assunto que costuma gerar situações inusitadas (que vão desde engraçadas até trágicas) geralmente está relacionado à diferença cultural entre dois povos. Hoje durante a aula conversei com alguns colegas a respeito e queria citar alguns aqui. Só por curiosidade e para pensarmos como é cada vez mais importante para nós que vivemos em um mundo globalizado e amanhã poderemos estar negociando com outras culturas.

+ Recentemente, troquei alguns emails com uma empresa indiana para tentar fazer uma parceria de outsourcing com eles. Lá pelas tantas, o CEO da empresa me falou: "Flavio, I will send you my picture with my son. Can you send yours?". Aquilo me soou TÃO estranho, que eu confesso que até hoje o indiano deve estar esperando a foto. Não sei ao certo o que isso tem a ver, mas ele mandou a foto dele com o filho... talvez seja um sinal de confiança. Não sei. Mas nós, brasileiros, dificilmente trocamos fotos entre homens!

+ Ainda sobre indianos, soube que certa vez uma executiva indiana esteve no Brasil. Ela gostava muito de fotografar. Lá pelas tantas, ela viu um prédio muito bonito em São Paulo e decidiu fotografar. Sua câmera não pegava todo o prédio, então ela decidiu ir andando pra trás... até chegar no meio da rua e morrer atropelada. Detalhe: na Índia, parar no meio da rua é algo que não costuma ser fatal.

+ Em uma convenção de executivos, um brasileiro e um português conversavam para trocar contatos. O brasileiro então falou: "Qual é o teu telefone?". E o português respondeu animado: "Nokia! E o seu?". O brasileiro então pensou... e deu uma gargalhada. O português fez cara de poucos amigos. Depois de algumas explicações, tudo ficou melhor. Mas o fato é que nós brasileiros temos a mania de querer que os nossos interlocutores ADIVINHEM o que queremos. "Qual é o teu telefone" é um diminuitivo para "Qual é o número do teu telefone". Os portugueses pensam de forma bem objetiva (e óbvia). Todo cuidado é pouco!

+ Certa vez li que um executivo estava em um hotel, em Portugal, e decidiu pedir uma pizza. Ele então pediu uma grande meia calabreza e meia muzzarela. O atendente falou que não havia pizza de muzzarela. "Como não?!?" gritou o brasileiro. Depois de muita briga, o brasileiro decidiu facilitar a vida do português: "Bem, amigo. Me dá então uma pizza inteira de calabreza, só que metade dela SEM calabreza". E o português respondeu: "Ok! Obrigado pela compreensão".

+ Quando você for para o Japão negociar com executivos japoneses, muito cuidado! Um executivo havia ido até lá para negociar com uma grande montadora, em uma viagem de cinco dias. Chegando lá, pretendia iniciar logo a reunião. Os japoneses quiseram fazer um tour pela cidade no primeiro dia. No segundo e terceiro dia, os japoneses mostraram todas as fábricas, passaram por todos setores de produção, mostraram os detalhes das suas empresas. No quarto dia, ofereceram um espetáculo cultural a ele. No quinto e último dia, no retorno para o aeroporto, o executivo japonês indagou o brasileiro: "Então, qual a sua proposta?". Resultado: o brasileiro, cansado e tonto com tanta coisa, acabou fazendo todas as vontades do japonês.

+ O povo alemão costuma ter origens fortes e são normalmente bastante resistente à mudanças. Em uma fábrica alimentícia no RS, um dos supervisores era alemão genuíno. Fazia todo o processo no olho, sabia exatamente a quantidade exata de cada porção. Ainda assim, de vez em quando falhava. A fábrica decidiu instalar uma máquina mais moderna, onde ele simplesmente entraria com o valor da quantidade e só precisava monitorar de tempos em tempos, se tudo estava ok. Para a surpresa da diretoria, descobriram que o alemão continuou fazendo tudo no olhômetro, dizendo que a máquina não era precisa e fazia tudo errado. A fábrica decidiu ouvir o alemão.

+ Um dos cases mais estudados no mundo é a volta por cima da Nissan, empresa japonesa comprada pela Renault, que estava indo para o buraco. Mas graças a um brasileiro, a empresa em 3 anos voltou a ser referência mundial. Uma das primeiras grandes medidas desse brasileiro foi acabar com um dos maiores paradigmas culturais do Japão: o conceito de que todos trabalham na mesma empresa por toda a vida. Para reduzir custos, foi preciso demitir milhares de japoneses e implantar uma mudança de conceito, onde a promoção não ocorreria mais por tempo de cargo, mas sim por resultados. O brasileiro (chamado Carlos Ghosn) enfrentou uma cultura milenar e, após ser visto com desconfiança (e até ódio) por parte dos japoneses, virou uma celebridade na terra do sol nascente.

+ Por fim, uma que não é sobre o mundo coorporativo, mas fala muito sobre a essência e sobre a cultura japonesa. O jogador e atual técnico da seleção Dunga, um dos primeiros brasileiros a ir jogar no incipiente futebol japonês, contou que certa vez o seu time se preparava para fazer a barreira em uma cobrança de falta do time adversário. O juiz marcou a posição da barreira e apitou a cobrança. O Dunga então começou a mandar todos da barreira avançarem, para dificultar a cobrança. E ouviu dos japoneses do próprio time: "Não! Não pode! Não pode!".

Causos de diferenças culturais existem aos montes. E isso mostra como é importante saber pelo menos um pouco em que território estamos pisando.

E você, caro leitor, conhece uma história divertida que envolve diferenças culturais? Conte para nós!

Um abraço

terça-feira, 3 de junho de 2008

SCRUM "aways visible" ou também chamado de "low-tech" :)

Uma pergunta bem interessante levantada pelo colega Ronan, na lista "SCRUM-BRASIL".


Como vocês costumam administrar os Backlogs?

Pergunto isso porque o quadro branco "armazena" apenas as tarefas da Sprint atual, certo? Mas como gerenciar as estórias pedentes e suas prioridades/estimativas?

Sei que existem ferramentas como o ScrumWorks, mas queria saber como a comunidade "costuma" de fato gerenciar isto.

Estou pensando em desenvolver essa funcionalidade no sistema da empresa.


Eu sou meio contra utilizar o SCRUM com alguma ferramenta computacional. O legal do SCRUM é o fato de promover a iNteração entra as pessoas. Uma ferramenta computacional já é um passo para começar a voltar ao bom e velho método da comunicação pela internet/rede.

Se alguém quiser adotar alguma ferramenta, eu sugiro que seja apenas para você mesmo. Ou seja, crie uma planilha para fazer um tracking do andamento, levantar métricas para usar nos planejamentos, anotar lições aprendidas para posteriormente divulgar... enfim. Evite ao máximo fazer com que sua equipe tenha que diariamente acessar algum sistema para ler/entrar com alguma informação ou dado. Dependendo do local onde você trabalha, esse tipo de coisa tende a começar a ceder em menos de duas semanas.

Para a organização do seu backlog, utilize as index cards. Eu já postei um exemplo aqui, mas novamente eis uma imagem de exemplo de uma index card:



Baixe aqui

Eu utilizo exatamente esse index card. Com o tempo, vamos adequar ao que precisamos. Mas é possível manter um histórico de tudo, saber o "Definition of Done" de cada atividade e também alterar estimativas e prioridades.

Enfim. Seja bem cético quanto a usar programas para "controlar" o seu dia-a-dia no SCRUM. Normalmente as pessoas tendem a deixá-los de lado. Use uma boa e velha taskboard para criar o conceito de "Always visible" :)

Abraços

Alinhando o planejamento estratégico com o tático

Como eu sinto falta de saber o que os diretores da empresa e os coordenadores do grupo estão pensando. É impressionante como falta comunicação na maioria das vezes.

Essa semana irei apresentar o sistema para o cliente que eu atrasei na semana passada (que gerou o email da confusão). Dai tenho que sair correndo atrás dos meus chefes para saber qual é o plano deles para o seguimento desse projeto. Continuaremos fazendo protótipos? Vamos propôr um sistema já? Vamos deixar em stand-by?

Como eu posso ir para uma reunião com o cliente sem saber o que posso "prometer"?

É complicado. Não adianta, sem um bom plano de comunicação vai ser beeeem difícil.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A dura realidade de um grupo de pesquisa...

Eu já havia dito anteriormente que uma das coisas mais terríveis de gerenciar um projeto em um grupo de pesquisa é ter a disposição normalmente uma equipe composta por bolsistas nos primeiros semestres, sem experiência e tudo mais.

Porém, outra coisa que é terrível, sem duvida nenhuma, é o outro lado da moeda: encontrar boas pessoas para trabalhar e ver elas indo embora sem ter uma chance de lutar contra.

A equipe que o meu colega dirigiu, no projeto dele, era sensacional. Era formada por um desenvolvedor multiplicador (daqueles que não só faz as coisas bem, mas também influencia e treina os demais) e outros bons desenvolvedores. Todos sairam ao final do projeto para a empresa parceira do projeto (que infelizmente não é a que eu trabalho). O único restante, que dava uma baita mão para nós, vai viajar para a Austrália no fim da semana que vem.

Agora, da minha equipe, tenho três bons desenvolvedores. São tecnicamente muito bons, mas tendem a se dispersar facilmente, um dos únicos defeitos deles. Um deles, o mais "geniozinho", recebeu uma proposta para ir para uma empresa. Hoje me mandou um email querendo conversar...

Ele está com vontade de ficar, caso trabalhe com hardware (coisa que não conseguiu fazer nesse nosso projeto). Eu não sei o que responder, pois o novo projeto só será aprovado daqui um mês, mais ou menos. E não vou ser desonesto prometendo algo e fazendo ele perder uma oportunidade.

Estou sentindo que infelizmente perderei outro bom funcionário.

É a dura e triste realidade de um grupo de pesquisa. E também das micro e pequenas empresas... manter seus cérebros. Uma pena.