domingo, 30 de março de 2008

Reunião geral do laboratório


Nesta última sexta-feira tivemos uma reunião geral com todos os membros ativos do laboratório. Inicialmente a idéia era apenas deixar claro a todos a diferença existente entre a empresa e o laboratório, que por possuir como coordenadores 2 sócios da empresa, acabou gerando algumas confusões durante o ano de 2007.

Eu sugeri que fosse colocada na pauta uma das principais preocupações nossas: o ambiente caótico de trabalho. A sugestão foi prontamente aceita, pois também é de interesse dos coordenadores.

Os dias que antecederam a reunião foram marcados por preocupação por parte dos membros do laboratório. Pelo menos dois ou três vieram me perguntar do que se tratava a reunião. Muitos estavam apreensivos com o que seria discutido. Uma legítima prova de "mea-culpa"!

No dia marcado, fomos para uma sala de aula (a sala de reuniões não é grande o suficiente). O assunto laboratório x empresa foi o primeiro a ser esclarecido pelos coordenadores. Não houve nenhum debate a respeito, pois ficou realmente bem claro para todos. A idéia era evitar os "disse-que-disse" nos corredores da universidade, que já renderam alguns puxões de orelha aos coordenadores (afinal, sabemos que a história se torna uma bola de neve e chega à alta direção 1000x mais exagerada).

O assunto seguinte, sobre o ambiente de trabalho, foi discutido de uma forma bem leve. Confesso que até me decepcionei um pouco com a forma abordada. Preferia que fossem quebrados os pratos inicialmente e em seguida discutíssemos o que iríamos fazer para melhorar isso.

Os coordenadores iniciaram falando sobre "vestir a camisa do laboratório" e "ter o laboratório no sangue", como forma de comprometimento. Comentou que eles sabiam que haviam pessoas que não estavam rendendo o que podiam render. Muitas vezes por causa de distrações como conversas paralelas, internet, msn, etc. Tudo isso foi abordado de uma forma light... light demais para aquele momento.

Eu percebi que os bolsistas assimilaram (com o perdão da informalidade) a "mijada light" que receberam. Mas não consegui notar que aquela mensagem resultaria em uma mudança de atitude da parte deles.

Em determinado momento, o coordenador citou algo que eu havia sugerido: ele comentou de que os bolsistas não devessem estranhar caso um gerente de outra equipe viesse cobrar resultados. Disse que essa prática será mais corriqueira, a partir de agora. Eu gostei disso, pois eu sentia falta dessa "carta branca" para poder intervir em questões como as distrações que outras equipes costumam causar na minha equipe. Nesse momento, o coordenador até me elogiou (brinquei que eu havia ganhado o dia, naquele momento) me chamando de "supercara". Valorizou o trabalho que eu tenho feito na frente de todos, o que me deu mais credibilidade.

Fazendo um parênteses, eu não busco afirmação com os bolsistas, porém o fato de eu ter sido um bolsista há 2 anos atrás, antes de ser promovido a gerente, eu sentia que poderia causar um desconforto em alguns conflitos. Conflitos esses que, na minha visão, trariam mais ruído do que benefícios.

Terminamos a reunião reiterando que todos coordenadores sempre estão de portas abertas para críticas, sugestões, etc. Aquele papo de fim de reunião :)

Após isso, foi notório o descargo de stress pós-reunião que os bolsistas tiveram (para ver o medo com que eles estavam desse momento): conversaram alegremente no laboratório, inclusive indo contra tudo o que havíamos conversado. Naquele momento, entendi isso exatamente como isso: alívio.

Os dois coordenadores presentes na reunião comentaram comigo, ao final da reunião, que estavam certos de que a mensagem não havia sido totalmente assimilada pelos bolsistas. Eles estavam em dúvida com a eficácia da reunião. Concordei, mas ressaltei que o primeiro passo havia sido dado: criamos o background para começar a mudança.

Eles foram avisados. E é isso o que eu achei de ponto positivo da reunião. Agora cabe a nós, gerentes e coordenadores, aplicarmos na prática o que falamos. Não podemos deixar o ambiente caótico imperar novamente.

Espero que consigamos.

Boa segunda-feira a todos.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Funcionários e soldados cidadãos...



Sou um grande fã de filmes de guerra, principalmente os que tratam da 2a guerra. Não que eu ache o combate em si algo lindo e maravilhoso e muito menos simpatize com a agressão entre pessoas. Eu gosto simplesmente por achar fascinantes todas as varíaveis que envolveram aquele período e principalmente por ser uma das únicas guerras onde sabíamos e lutávamos contra algo ruim (nazi-fascismo)... mas isso não vem ao caso, pois quero falar sobre outro assunto relacionado.

Estava assistindo tempos atrás a fabulosa minissérie "Band of Brothers" que é uma obra obrigatória sobre o tema. Conta a história de uma companhia de paraquedistas americana que perdeu mais de 150% do seu efetivo durante o combate e foi responsável por grandes feitos. São 10 episódios a série.

O primeiro trata sobre a formação da companhia... o treinamento nos EUA e na Inglaterra, antes do dia D. Ali começamos a ver a criação da união e cumplicidade entre os soldados da companhia. Eles tinham como superior um cara típico do exército americano: linha dura e exigente ao extremo. Certa vez deu um dia de folga com macarronada para a equipe... para logo em seguida do almoço, forçá-los a subir o morro que ficava ao lado do campo, correndo. O responsável pela companhia era aquele líder servidor, que fazia tudo para a equipe ficar com a moral alta.

Aliás, fazendo um parênteses. No livro "Como se tornar um líder servidor" o James Hunter fala que é praxe no exército americano eles treinarem com um sargento linha dura e depois terem um líder servidor no campo de batalha. Eles criam a união e depois só a mantém.

Os episódios seguintes seguem para as batalhas do dia D, Carentan, Market Garden, A batalha do Bulge (uma das piores) até o ataque ao ninho da Águia, onde a companhia foi a primeira a chegar ao vilarejo onde os nazistas da SS moravam.

Durante a operação Market Garden, na Holanda, a companhia recebe reforços (substitutos) para repôr as perdas. No primeiro momento, todos da companhia hostilizam os novatos, fazendo o possível para deixá-los excluidos. No campo de batalha, porém, uns ajudam o outro.



Durante uma incursão de reconhecimento, isso em outro episódio, o líder servidor (agora já promovido devido aos feitos) se depara com uma força alemã. Ele e mais 10 soldados (talvez um pouco mais, não lembro ao certo) atacam essa força e dizimam todos. Resolvem então investir contra os outros que estavam na retaguarda. Num ato insano (ou talvez heróico) o líder sai na frente dos seus soldados e vai sozinho até o local... se deparando não com uma força pequena alemã, mas sim com um batalhão inteiro da SS (o exército mais bem equipado nazista). Segundo as palavras dele, ele simplesmente se deitou e começou a atirar. Logo seus companheiros chegaram e fizeram o mesmo. Resultado: a pequena equipe de reconhecimento matou e prendeu quase uma centena de soldados da SS. Esse foi o maior feito do líder, que foi reconhecido pelo exército e fez sua credibilidade subir ao máximo.

A batalha do Bulge, em Bastogne, é uma das mais fortes que a companhia passou. No inverno terrível com neve forte, eles enfrentaram uma ofensiva alemã na Bélgica sem estarem com munição e roupas apropriadas, tudo isso numa floresta de pinheiros. Além disso, quase sempre a visibilidade era de alguns metros, o que levou a diversos acidentes por fogo amigo. Pra completar o calvários das semanas que passaram ali, quase que 4 ou 5 vezes ao dia eles recebiam fogo dos temidos Flak 88 alemães. Os Flak 88 eram canhões de 88mm que foram usados pela Alemanha durante toda a guerra, sendo uma das armas mais temidas pelos aliados. A cereja do bolo, é que o líder servidor deles havia sido efetivado para um cargo mais abrangente aos paraquedistas, sendo responsável por TODAS companhias. E para o seu lugar, colocaram um lider completamente pateta e sem nenhuma experiência. Num dos episódios isso se torna desastroso para alguns.

Numa situação assim, vemos como a companhia conseguiu sobreviver. Os laços de amizade, companheirismo e cumplicidade chegam ao extremo nessa situação. Um dos principais soldados da companhia entra em choque ao ver dois de seus melhores amigos perderem a perna (cada um) em um bombardeio das Flak 88.

Ufa, não vou contar o resto do filme. Vejam por si próprios. Vou passar direto para o episódio final, que é onde quero realmente chegar, agora que vocês já entenderam que o exército aliado cumpria à risca a questão EQUIPE.

O episódio final trata de todo o exército dos para-quedistas em período de descanso naquele vilarejo da SS. Eles aguardavam para saberem se a guerra terminaria ou então se eles seriam transferidos para a guerra no Pacífico, contra o Japão (nesse período o Hitler já tinha se matado e a Alemanha já havia se rendido).

Nesse período os paraquedistas sofrem quase tantas baixas quanto na guerra. Motivo? Simplesmente o "nada para fazer". Eles bebem, brigam entre si, cometem acidentes de carro, se envolvem em confusões e até se matam. Nesse momento a gente se pergunta, como que aqueles soldados que lutaram juntos e foram tão companheiros podem ser capazes de cometer isso?

Você, caro leitor, deve estar se perguntando o que isso tudo tem a ver com o meu blog. E eu digo que tem TUDO a ver. Substitua a palavra "exército" por "empresa" e veja se a maioria dessas situações não poderia ser descrita numa empresa.

Notem como a questão "trabalho em equipe" é importantíssima para que os soldados (aliados ou do eixo) chegassem aos seus objetivos. Notem como o líder servidor refletia e guiava sua companhia para a excelência. Notem como a substituição dele por um líder fraquíssimo resultou em quase um desastre completo. E por fim, notem como essas mesmas equipes, quando desmotivadas e "sem nada para fazer" cometeram erros que jamais cometeriam quando estivessem ocupadas.

Eu sugiro, assistam esta minissérie. Vejam duas vezes: uma para vivenciar o mundo da 2a guerra e outra para notar esses pontos sobre liderança, equipes, motivação, etc. É uma lição dupla!

Um abraço!

terça-feira, 25 de março de 2008

Vagas de emprego

Como participo de diversas listas de discussão sobre gestão e tecnologia, costumo ler mensagens a respeito de oportunidades e vagas de emprego, geralmente para gerente de projetos, ou em suas versões alternativas como "coordenador de projetos" e "líder de projetos".

Porém, tenho notado algumas particularidades que não sei ao certo se condizem com as reais necessidades dos contratantes.

A primeira delas, e mais óbvia, é a certificação PMP. Ora, sabemos que o PMI é hoje um dos principais fornecedores das melhores práticas de gerenciamento de projetos. Mas eu me pergunto se algumas empresas realmente fazem o real uso dessas práticas. Será que para um projeto de software, por exemplo, não seria mais útil que o gerente fosse capacitado em metodologias e práticas direcionadas a software, tais como CMMi, RUP e Agile, por exemplo?

Além disso, muitas empresas solicitam PMP's, mas oferecem um salário de recém-graduado ou então pior: ao entrar na empresa, o PMP se depara com a inexistência de qualquer prática de projetos (nem um simples plan-do-check).

Mas algo que realmente me deixa desmotivado com algumas propostas de mercado são as que solicitam que o gerente tenha vasta experiência ou domínio em tecnologias ou atividades da sua área. Algo como: "Domínio nas linguagens de programação C/C++, Java, HTML" ou "Domínio no processo de evaporação de óleos vegetais" (inventei essa última, nem sei se existe!).

Poxa, a empresa afinal procura um líder técnico ou um gerente de projetos?

Eu realmente vejo que são poucas empresas que colocam como pré-requisitos em suas vagas coisas do tipo "Boa comunicação", "resolução de conflitos", "atitude", "saber lidar com pessoas", "organização", etc.

Afora os conhecimentos técnicos sobre PROJETOS, esses requisitos não seriam também muito importantes para um gerente de projetos?

Enfim, é visível que existam muitas empresas que contratam gerente de projetos sem nem ao menos saber ao certo o que é um projeto. É uma pena.... para nós e para as empresas.

Abraços

segunda-feira, 24 de março de 2008

Problemas de comunicação (salvo pelo email...)

Quarta-feira passada. Um dos meus chefes (o que eu tenho menos contato) me abordou durante minhas tarefas (aliás, me pegou no dia em que eu realmente estava com várias coisas para fazer) e me questionou se podia contar comigo para uma visita a uma empresa. Ele queria alguém da parte de software pois era um projeto que envolvia exclusivamente isso, e ele, por ter formação de hardware, não se sentiria à vontade.

Concordei, é claro. Na hora ele me avisou da data, 2a ou 4a feira as 14h. Não lembro ao certo o que eu disse, mas concordei. Algumas horas após, fui até o email e enviei um email a ele confirmando: "Prezado, confirmado para 4a feira as 14h?". Ele me respondeu em seguida: "Sim, neste dia queria conversar contigo antes de irmos para a reunião".

Me programei para fazer a visita à empresa na quarta-feira.

Segunda-feira, hoje. Chego no trabalho um pouco mais tarde, pois era um dia em que eu tinha poucas tarefas e então aproveitei para adiantar algumas coisas pessoais (principalmente relativas ao Leão do IR). Um dos meus chefes diz que o meu outro chefe estava me procurando desesperadamente, pois tínhamos uma visita à uma empresa às 14h. Como não me achou, ele havia ficado indignado e "xingou minhas 5 gerações", segundo o meu outro chefe... acho que em tom de brincadeira.

Fiquei na dúvida... então abri o email e mostrei aos meus outros dois chefes a mensagem onde eu confirmo "4a feira as 14h?" e ele concorda. Em seguida escrevi um email ao meu chefe bravo e mostrei que havia ocorrido uma confusão (ainda não obtive resposta).

A conclusão disso tudo é:

NUNCA se envolva em compromissos sem ter alguma prova tangível de data e hora. Principalmente quando são datas importantes. Se eu não tivesse o email em que o meu chefe concorda que o dia era 4a feira, seria a minha palavra contra a dele. No meu caso, talvez eu apenas perdesse um pouco de credibilidade com este chefe, mas em outras situações isso pode causar conflitos piores!

Entre a comunicação verbal e a formal, prefira a formal!

Abraços

Frase

Uma frase que eu usei no feedback e achei "bonitinha" hehe

"Não vamos pensar que demos azar de estarmos em um projeto problemático, mas que tivemos sorte de ter tido a chance de recuperá-lo".

Saiu mais ou menos assim... e os guris gostaram! Quis compartilhar :)

Abraços

quinta-feira, 20 de março de 2008

Resultado do feedback

Ontem então tive a conversa com os meus subordinados.

Chamei todos que respondem por mim, no laboratório, e na sala de reuniões já falei de cara: "Pessoal, a batata vai assar". Expliquei a visão do laboratório por parte dos coordenadores e que eles estavam querendo marcar para a semana que vem uma reunião com todos os membros para por um ponto final nesta situação.

Eu falei que estava avisando eles antes, pois queria que eles iniciassem a mudança por eles próprios. Eles mencionaram que já sabiam que o ambiente de trabalho iria atrapalhar com a mudança da sala da empresa para o laboratório. Eu admiti isso e ressaltei que por este motivo eu sabia o como eles conseguem ser compenetrados e comprometidos quando querem.

Sugeri que a mudança deles viesse na forma de não agir como os demais. Trabalharem de fato por 3h20 que fosse e pegar 20min do dia para conversar lá no pátio do prédio. Essa simples mudança já traria um melhor resultado.

Também disse que toda a segunda-feira iremos apresentar alguma coisa de valor do projeto, para o nosso chefe. Isso irá acalmá-lo (e a mim também).

A conversa foi boa, o pessoal assimilou o recado. Vamos ver se colocam em prática. Cabe a mim agora mantê-los na linha.

O que eu senti, fora isso, foi que realmente preciso trabalhar mais a questão de conflitos. Eu costumo ficar ainda ansioso e nervoso quando sei que irei enfrentar uma situação conflituosa, talvez trabalhando a minha desnibição isso melhore. O fato que me deixou feliz foi que realmente eu enfrentei isso e passei o meu recado à equipe.

Um dos problemas que o pessoal mais cita do feedback é quando ele é dado com muito atraso. Não adianta reclamar da equipe sobre algo que aconteceu cinco meses atrás. Eu estava adiando demais essa conversa.

Quando sai da sala, me senti mais leve. Enfrentei a minha ansiedade e nervosismo. E exerci de fato minha autoridade (lembrem-se que eu associo autoridade com responsabilidade, não com poder!).

E você, amigo leitor, também tem problemas em lidar com situações conflituosas? Como você se sente nesse momento? O que faz? Comente aí!

Um grande abraço

quarta-feira, 19 de março de 2008

Feedback... negativo.

Hoje é o dia.

Pensei a noite inteira a respeito do meu post sobre as saias-justas, e decidi: vou levar a equipe para a sala de reuniões e dar uma sacudida.

Está na hora de mudar a visão horrível que os chefes tem dessa equipe (falta de produtividade e compromisso). Temos mais 1 mês e meio de projeto e o resultado final parece distante.

Quero ter a sensação, ao menos, de que tentamos.

Vou fazer um pedido simples para eles: "Vocês trabalham 4 horas diárias. Trabalhem 3h30 e tirem 30 minutos para conversar e rir... mas lá embaixo, na entrada do prédio".

Eu tenho dificuldades em causar conflitos. Sei tudo na teoria, mas travo na prática. Acho que hoje vou começar essa mudança.

Amanhã conto como foi.

Abraços