segunda-feira, 2 de junho de 2008

A dura realidade de um grupo de pesquisa...

Eu já havia dito anteriormente que uma das coisas mais terríveis de gerenciar um projeto em um grupo de pesquisa é ter a disposição normalmente uma equipe composta por bolsistas nos primeiros semestres, sem experiência e tudo mais.

Porém, outra coisa que é terrível, sem duvida nenhuma, é o outro lado da moeda: encontrar boas pessoas para trabalhar e ver elas indo embora sem ter uma chance de lutar contra.

A equipe que o meu colega dirigiu, no projeto dele, era sensacional. Era formada por um desenvolvedor multiplicador (daqueles que não só faz as coisas bem, mas também influencia e treina os demais) e outros bons desenvolvedores. Todos sairam ao final do projeto para a empresa parceira do projeto (que infelizmente não é a que eu trabalho). O único restante, que dava uma baita mão para nós, vai viajar para a Austrália no fim da semana que vem.

Agora, da minha equipe, tenho três bons desenvolvedores. São tecnicamente muito bons, mas tendem a se dispersar facilmente, um dos únicos defeitos deles. Um deles, o mais "geniozinho", recebeu uma proposta para ir para uma empresa. Hoje me mandou um email querendo conversar...

Ele está com vontade de ficar, caso trabalhe com hardware (coisa que não conseguiu fazer nesse nosso projeto). Eu não sei o que responder, pois o novo projeto só será aprovado daqui um mês, mais ou menos. E não vou ser desonesto prometendo algo e fazendo ele perder uma oportunidade.

Estou sentindo que infelizmente perderei outro bom funcionário.

É a dura e triste realidade de um grupo de pesquisa. E também das micro e pequenas empresas... manter seus cérebros. Uma pena.

Um comentário:

Guilherme Piccin disse...

Flávio, acho que o escopo da perda de bons funcionários vai além das empresas pequenas. Muitas empresas médias e grandes sequer possuem um planejamento de carreira ou incentivam seus funcionários, seja por possuir um corpo diretor conservador demais [leia-se "pré-histórico" - acreditam que tempo de casa é o principal fator promocional] ou por, em boa parte das vezes, só visarem as colinas do curto prazo. Já vi muita empresa abrindo hoje e querendo ter 100% de ROI em 6 meses ou um ano. Pra isso, precisam tratar seus funcionários como engrenagens.. Já conhece a história, né!?
A cada dia que passa tentamos mudar essa história. É um trabalho de formiga, mas a gente vai tentando.